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segunda-feira, 2 de março de 2015

PERENE

Perene é a canção sincera
E, perecendo o corpo,
Permanece, então,
Como fluido e como gérmen
De outra nova afloração.
Perene é o carinho,
A caridade, o amor…
O tempo é limitado,
Mas há de se recompor
Tudo o que se perdera
Pelo ódio e seu torpor.
Perene, a realidade
Que não cabe na ideia.
Vês, o horizonte largo
Que se amplia à Odisseia
De teus dias e ambições.
Porque perene não é o fim,
Perene é o recomeço.

Benedito Rodrigues
Membro da APL

terça-feira, 28 de outubro de 2014

PURIFICAÇÃO



Sorve este verbo
Em cada doce
Fragrância de dor
Sonha, fagueiro
Na noite que finda
De ódio e temor
Sopra esta mágoa
Seca esta água
Impura
Que o batismo real
É de sangue
É de suor
É de sal
É de lágrima!

Sorri
Timidamente
Tacitamente
- depois -
E serás outro
Porque experimentaste
Ser um qualquer
Ser um ninguém.

Benedito Rodrigues
Membro da APL

quarta-feira, 30 de julho de 2014

ACENTO DA EXCEÇÃO

Que a explicação seja breve:

afadiguei-me de emoções caladas
a desrazão traduzida/barrada
não cessa de ser a exceção
acentuada.

Benedito Rodrigues
Membro da APL

terça-feira, 1 de julho de 2014

PRIMEIRO CANTO DE UNIÃO


Não adianta reclamar sozinho
Se não te entregas para lutar,
Pois não será somente um passarinho
Forte o bastante para anunciar

O sol recente que já vem surgindo
No horizonte de um novo amanhã;
Traz a vanguarda do sonho mais lindo
De toda gente, junta, como irmã.

E se canto é porque creio
Que ainda há por que cantar!
E se sofro é porque teimo
Em amar, em amar...

Mas do que vale toda inteligência
E toda força, toda vaidade?
Não há proveito se tanta potência
Não se cobrir com o manto da humildade.

O anúncio vivo deve se espalhar
Por toda sorte de povo e de terra.
Só há um jeito para começar:
Desprenda o grito que o medo se encerra!

E se canto é porque creio
Que ainda há por que cantar!
E se sofro é porque teimo
Em amar, em amar...

Benedito Gomes Rodrigues

terça-feira, 27 de maio de 2014

CANÇÃO DE TEIMOSO

Um poema, um verso... A fala
Abala meu jeito de te conceber.
Quando lembro dos dias que foram,
Da luta que somos,
Do véu do amanhã.
Quando digo que ainda não basta,
A força que arrasta é o meu coração.

Diz-me: não!
Não para!
Inda tem algo aqui a fazer!

Diz-me: sim!
É a hora!
Vai, consola
O que quer desistir.

E se sigo, se teimo, se tento,
É o sofrimento de ver acabar
De que escapo sonhando e fazendo
Da vida enredo por algo mudar.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

CONTRA O MEDO


Dá trabalho bastante pensar em viver,
Quando nos aparece, rendendo a vontade,
Uma força perversa que toma e invade
O momento de agora (que está por nascer).

É o medo este mal que suplanta a esperança;
E se a gente não ousa, ele castra, ele vinga.
Sua sede só cede ao quebrar-se a moringa;
Sua fome só cala se mata e se avança!

E só há um remédio dentre os que eu conheço
Que nos traga o efeito ao tentar dirimi-lo.
É o amor, caro amigo, da vida pupilo,
Que orienta, encoraja e do medo é avesso!

Benedito Gomes Rodrigues

terça-feira, 15 de abril de 2014

À CLARA DAMA

Pintura de Mercedes Garcia Bravo
Reservo a ti somente um pedido:
dê-me um sorriso teu encabulado,
pois mal surgiu, tão logo foi findado
e chorei a perda, por ter ido.
Nada mais a contar, por cá ferido,
das agruras do verbo de quem ama.
Não me julgo poeta; eu sou a chama
que consome-se a dois entre abraços...
e se esfria ao romperem-se os laços
do amor que é nosso, ó clara dama!

Benedito G. Rodrigues

sexta-feira, 21 de março de 2014

SEM A MINHA NEGAÇÃO

De que foges nessa tua pressa à toa?
- É a pergunta que te faço, invocado!
Pois de mim que, vejo, cobras a suplência,
Reafirmo-te com a mesma veemência:
- Não te zangues, permaneço cá, parado.
Se o desejo é um querer-estrada-boa,
Saiba, o outro, que o sou, sigo na proa.
Não te largo; sou-te estranho! Vou ao lado!
É do Não em que me valho pra te ter
- nominando os sem-limites do querer!
Minha essência negativa não te assombra,
Posto que, afinal de contas, somos sombra
Um do outro, sem a qual nada se forma.

Não te afirmes, meu caro, sem a minha negação!

quarta-feira, 5 de março de 2014

FIM POÉTICO

Falava sozinho ao longo das tardes e em demorados períodos das noites. Discursos de fôlego, ora enérgicos, ora carismáticos, ora quase sussurrando como se ao pé do ouvido de alguém, ora em alto tom como numa reunião ou como proferisse uma palestra. Enquanto isso, os vizinhos percebiam aquele incessante burburinho. 

- O que aturdia ao Pedro Manuel? 

Já desde mais de mês se enclausurara em casa, saindo somente por última urgência, quando a fome lhe forçava a ir ao mercadinho comprar o que comer. Ao caminhar, evitava troca de olhares; vendo alguém que lhe causasse certo desafeto, ficava a resmungar coisas inaudíveis, mudava de expressão, ar de ranzinza e ressentido. Poucos ousados chegaram a tentar troca de palavras, ao que nosso protagonista respondeu com silêncio ou no máximo com um aumento na frequência dos sussurros de si para si, porquanto nada lhe detinha em seu trajeto. Na venda, limitava-se a perguntar o preço, rispidamente, pagava trêmulo, pegava a sacola, saia sem mais. Certa vez, absorto, fez pouco até para o troco.

E é isso.

Além das conversas dele com ele mesmo, nada mais da casa se ouvia, sequer o arrastar duma colher sobre um prato, sequer o balançar duma rede... Portas e janelas fechadas, luz amarela acessa, silêncio... exceto a voz que brandia, que consolava, que aconselhava, que se exibia a um único expectador, em cuja solidão fazia de si dois, o que falava e o que ouvia, o que retrucava e o que treplicava, enfim...

Só de imaginar já dava agonia. 

O que aconteceu com Pedro Manuel? Ora, era um homem dedicado, por demais educado e consciencioso, nunca agrediu com palavras, muito menos fisicamente, a um só vivente durante os meses em que ali estava. Alguns pivetes da rua chegaram tantas vezes a troçar com seu jeito, por sinal realmente engraçado, de andar, e nem ligava, isso certamente não o importunava com tantas coisas realmente relevantes para se cuidar. Ninguém sabia em que trabalhava, porém se o via com livros e papeladas a tiracolo, apressado, bem vestido, jeito de quem sabe das coisas. Talvez fosse professor ou estudioso... Não importa! De certo fazia algo de interessante na vida. Tinha dinheiro; pagou quatro meses de aluguel adiantados da casa, embora modesto. Se bem que nunca o vimos acompanhado de ninguém, nem pai nem irmão, nem namorada nem amigo. Disse ele a Joanina, depois de duas vezes lhe perguntar, que moravam longe. Quem sabe o longe fosse que houvessem morrido ou nunca existido...Vá saber... São todas meras especulações. Hoje as pessoas são mesmo solitárias! É normal! Não damos conta nem da nossa própria vida, né?

Contudo, duma sexta-feira em diante não mais se ouvia suas palavras. Nem saia para canto algum. A luz amarela permanecia acessa. Os vizinhos, mesmo egoístas que eram, começaram a se preocupar, tocando no assunto durante as refeições e a pensar besteiras, influenciados pelas más notícias frequentes dos jornais policiais. Estaria somente envolvido em suas reflexões e estudos? Teria enlouquecido de tanto estudar? Ao que parecia seria o mais lógico.

O menino Vitinho, enxerido, depois de passada uma semana de silêncio - e a despeito das admoestações da mãe que o bem conhecia e recomendara excessivas vezes, o suficiente para lhe despertar o desejo, que não fosse dar uma de besta e xeretar na casa do vizinho -, resolveu tentar espiar. Subiu no muro pela casa contígua, a qual se achava desabitada, e uma brecha nas telhas dava vistas para dentro. Quase caiu para trás. 

Viu Pedro Manuel, magro e amarelo, com os olhos fechados, estendido sobre uma enorme pilha de papeis rabiscados. Nenhum mínimo movimento.

Correu. Chamou a mãe. 

Foram bater na porta. Gritaram por Pedro Manuel, sem sinal de vida. Mário, pai de Vitinho, decidiu-se e acionou a polícia. Chegaram os guardas. Chamaram igualmente. Vendo que nada aparecia, arrombaram a porta aos chutes, entraram e o encontraram mesmo no estado que Vitinho descrevera. Checaram seus pulsos. Mudos. Falecera possivelmente naquele dia, resultado da fome e da insônia. Não souberam notar os papéis que lhe rodeavam. Um deles, de letra vermelho-forte, dizia em versos:

Sou a palavra
Eis o alimento
Sou feito verso
Neste meu tormento
Me basto a mim
Em tanto amar.

Outro, azul de pincel, traçava:

Cansei-me de ouvir o mundo
Tentei em mim mesmo ouvir falar
A mensagem de algo além
Daquilo em que pude acreditar.

E um terceiro por sobre o corpo resumia:

Os versos são minha carne
Meu pão e vinho, minha salvação
São as palavras os meus amores
Somente eles movem o coração
Se fui e vi o que a vida tinha
Se bem sofri e já corri de um tudo
Trago nas letras que falei um dia
O que em outros permanece mudo
Falei, falei, tão pensei e fiz
De mim o verso em que me penei
Paguei o preço com a solidão
Foi mais um passo que eu planejei
Rumo ao infinito do sem-razão
Enfim...

Não coube explicação a sua morte. Sua vida foi, quem sabe, somente um ensejo para a poesia. E seus melhores versos, que tanto queria, suponhamos, cobraram-lhe o preço pela fantasia. A fome lhe rendeu o livro que planejou, espalhado por aquele piso em papéis multicoloridos. Pedro Manuel, um nome, uma desculpa para a poesia. O silêncio a guardava, aguardava o dia em que a loucura lhe renderia poesia. Uma simples história sem sentido, como a verdadeira e sincera vida. A perícia não entendeu aquilo tudo, nem era para entender, por certo, nem os vizinhos, ninguém sequer soube ler direito o que escrevera. Foi tudo ao lixo. O livro. Os versos. O homem. O preço.

Benedito Rodrigues
Membro da APL

segunda-feira, 3 de março de 2014

SOL DE JANEIRO

Chamo-me Francisco, João, José e Manoel. Queimado pelo sol e calejado pelos dias. Meu barro de homem foi cozido na peleja. Calado. Circunspecto. Suado. O sol tine a pino. Trepida o ar na roça queimada. Enxada. Meio-dia, chega a boia. Paro. Espio em volta. Prostro-me à sombra. Assombra-me a perspectiva de não chover. Consola-me a fé em Deus. Afligi-me a fome. Lembro de Maria, Conceição e Aparecida. Vem-me à verve também Pedro, meu pai, morreu tão novo. Morreu tão novo... Nem o vi naquele dia. Estava pro Sul! [iludido] Ilusão é uma palavra sem sentido. Prefiro conversar com a terra. Ela me responde da melhor forma possível:

- Empresto-te a vida [com juros]!

Ao que eu retruco, como sempre, com um “sim” encabulado. E olho ao lado o horizonte. Límpido. Azul. Nem uma única nuvem. E uma rajada de vento me cega temporariamente. Uma mensagem? Traduzi-a como:

- Não temas. Se temeres é pior!

E essas conversas solitárias com a terra, o sertão, a fome, o medo, as lembranças das quais me escondo, tudo junto comigo, na minha união em sina com tantos outros homens... Delas pude ver o que há por trás do silêncio, do mim-ensimesmado. Vi que sou pó. E naqueles janeiros ensolarados, pós-seca, soube o que os doutores negam, enfeitam, romantizam. Soube a crueza de homem-morte-e-vida. Ultrapassei o além da dor. E senti que a minha fé é meu único sustentáculo.

Benedito Rodrigues
Membro da APL

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

DE VERBO E CARNE

Se meu coração
não fosse verbo
rasgado
condensado
desviado
conjugado a uma vontade
de ter uma 2ª pessoa ao lado
numa segunda-feira conturbada
se esse coração só fosse carne
não me doeria tanto esta saudade.

Benedito Rodrigues

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O PARADOXO DOS SONHOS

No que digo se esconde o que nego
No que quero se esconde o que temo
E o que temo se finca em raízes
Por cuja existência me tremo
Se os anjos já estão sem asas
E os demônios não são mais que sombras
Se o medo visita as casas
Nas angústias que nos assombram
Sinto-me treva e luz constante
Numa mistura por mim rejeitada
Dizer-me uno é o mesmo que nada
Sou o paradoxo de meus sonhos.

Benedito Rodrigues
Membro da APL

sábado, 8 de fevereiro de 2014

CHUVA QUE MOLHA O CHÃO

Chuva
que molha o chão
inunda-me
de ressurreição
como faz
com a terra seca
reflorindo a erva
fazendo o cheiro
de vida
se espalhar
pelo sertão
Ah, chuva
doce chuva
néctar da criação
dote divino
presença de Deus
traga-me
novo
caminhar
traga ao
povo
porque cantar
ao banhar de cor
e movimento
o marrom rachado
da sequidão.

Benedito Gomes Rodrigues
Membro da APL

domingo, 2 de fevereiro de 2014

AO QUE VIER

Lave-se
e eleve-se
no enlevo
da promíscua
providência
de amar
sem rumo
sem guia
sem dogma
sem escudo
sem medo
Leve-se
ao longo
da longa
lua
desafortunada
na rua
criada
para dançar
ao som
da chuva
e de palavras amigas
a lua e a rua
mais que rimas
são ambas tuas
lugares
quaisquer lugares
para seres livre
ao amares
e prenderes-te
ao qualquer
ao próximo
que vier.

Benedito Gomes Rodrigues
Membro da APL

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A ARTE

1.
São tantas as histórias
Que me cabem no cordel
Lapidadas, encantadas
Desenhadas no papel
Que dançam de cima abaixo
Vão do chão até o céu.

2.
Porque a dita poesia
É aqui a almejada
Procurando aonde esteja
A história não contada
O detalhe ignorado
Uma fala inacabada.

3.
Eis o nosso desafio
De quem quer ser um artista
Criar e rever o novo
Do amor ser ativista
Cavar a profundidade
Do mundo com nossa vista.

4.
Não é fácil e se percebe
Quando tudo é mastigado
Só se quer ter o mais fácil
Que vem pronto e acabado
Mas essa mediocridade
Faz da arte um finado.

5.
Quem de fato é artista?
Um ousado ou um covarde?
Penso eu que o verdadeiro
Sente o fogo que lhe arde
Por criar algo no mundo
Antes que lhe seja tarde.

6.
O ousado reconhece
Seu lugar e compromisso
Com a arte não lhe cabe
Comportar-se como omisso
Ela é também denúncia
E é bela também nisso.

7.
Por tudo o que lhes digo
E insisto em repetir
A arte é um bom caminho
Para a vida traduzir
E fazer nascer mais vida
Dar sentido ao porvir.

8.
Não há que me agrade mais
Das rotas que Deus nos deu
Para fitar sua vontade
No que Dele aqui nasceu
Do que arte e sua cor
Tal o amor, não feneceu.

Benedito Rodrigues

domingo, 19 de janeiro de 2014

ENQUANTO HOUVERMOS

Bem te direi que amarei-a sempre,
mas na areia do tempo não cabe
nada que dure, que não se acabe,
nem mesmo eu que aqui te escrevo.
E, ademais, tudo que julgara
ter a firmeza nobre de uma rocha
tão logo veio já se desmanchara
no sopro quente do amanhã pendente.
Não hei de querer-te para sempre,
nem a nada mais, qualquer que seja...
Hei de querer-te no vão do presente,
rodeado de mil incertezas...
Sem saber ao certo onde estivemos,
e a impressão sincera de uma união.


Benedito Rodrigues

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

VALSINHA ENLUARADA

Na noite clara enluarada
Eu armo a rede na calçada
E ponho-me a observar
No céu se vai a revoada
De pássaros rumo ao nada
Não sei
Aonde vão parar

Quem dera fosse um daqueles
Sem rumo, sem
Favor qualquer
Nadando livre pelas nuvens
Tendo a lua
Como mulher

Quem dera fosse um mero pássaro
Que morre sem
Preocupação
Um mero pedaço de terra
Solto ao vento
Sem direção

Mas estou aqui parado
Ao chão atado
Pensando em você
Não sei mais o que é que eu faço
Se morro ou nasço
Para te ter

Benedito Gomes Rodrigues

sábado, 28 de dezembro de 2013

O QUADRO QUE FUI

Fui ontem o quadro na parede da vovó,
coberto de poeira e desgastado pelos anos.
Uma foto preto e branco,
acinzentada e ruída pelas traças -
metade pintura, metade passado.

A moldura toda enferrujada, já sem brilho,
é o invólucro desta lembrança,
que se consumiu quase por inteiro -
viva frieza do que não volta!

Mas
eis que cresce,
ao canto do quadro,
a pequena casa de barro,
moldada parte a parte,
grão a grão de lama,
pela vespa do amanhã,
que deposita ao seu fundo
o seu filho.

E então
Vejo-me habitado, 
em minha morte,
pelo intruso tempo
que não pede permissão.

Benedito Gomes Rodrigues

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

UMA CASA CHAMADA APL

Nossa Academia é uma casa de portas abertas, embora não tenhamos, de fato, nenhuma porta, ou teto, ou parede sequer dessas mais comuns feitas de cimento, tijolo e madeira. Antes que um leitor desavisado nos compare “À Casa” do Vinícius de Moraes, faço lembrar que somos mais do que uma metáfora. 

Aqui, como numa verdadeira casa, muita gente pode encontrar refúgio e se sentir bem recebida. Aqui, diferente da maioria das casas, que guarda e até mesmo esconde os objetos e as pessoas que lá se encontram, estamos para dar visibilidade, mostrar o que ficara encoberto, a saber, alguns dos talentos (sobretudo na escrita) de nossa terra, atual Coreaú, saudosa Palma. 

Se tal é nosso intento, com grata alegria, neste dezembro de 2013, anuncio: a ideia nascida despretensiosa, numa brincadeira fortuita de feriado, ganhou proporções inesperadas. Por mais que a atuação da APL tenha sido ainda tímida, provamos, com este blogue, com a realização do 1º Concurso Literário de Coreaú [ainda em andamento], e com outras ações específicas que vieram e virão, que há, sim, em Coreaú muito potencial de desenvolvimento cultural.

A ideia da APL avançou fronteiras. Pessoas de outros municípios, e até de outros estados, que conosco se comunicam e tiveram contato com a proposta da APL ficam, de pronto, interessadas a admiradas com uma Academia que quer ir além das láureas. Iniciativas noutros cantos estão se germinando com o impulso singelo de nosso exemplo; tomara que vinguem! Isso significa que, se pouco fizemos, com o ânimo novo que ganharemos em 2014, muito mais há de se fazer. 

E não estamos sozinhos... Outras ideias têm germinado e dado a Coreaú - na base da resistência - as suas contribuições à Cultura. Estaremos abertos para apoiar no que pudermos a elas também. 

A esperança é de que o que tem sido feito - muito pequeno ante o que queremos e é necessário - seja somente o começo e que, em conjunto, mais pessoas se engajem, mostrem seus talentos e arregacem as mangas para fazer “chover arte nos terreiros da Palma”, como asseverei um dia num de meus poemas. 

Gratidão a todos que contribuíram de alguma forma neste blogue (mandando seus textos), participando do Concurso, acompanhando-nos e que - se não agora, mas futuramente - estarão também conosco nesta empeleita. É nas pequenas ações que se faz História!

Benedito Gomes Rodrigues
Membro da APL

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

HUMANO AGORA

Chore e deixe o vento enxugar as lágrimas, e que o sal arda em seus olhos para saber o gosto de enxergar a própria miséria. E aí, quando não mais possuir as coisas que julgou tão necessárias, quando perceber que nenhuma delas era sua, poderá, quem sabe, se sentir mais livre ou mais leve, com menos um fardo que lhe logravam aquelas expectativas mesquinhas que você alimentou. 

Não adiarei mais nem o sorriso, nem o choro, ou a mistura dos dois - a mais exasperada de todas - para ser humano agora, com todas as vicissitudes e seus diferentes sabores de ser gente.

Benedito Rodrigues