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segunda-feira, 23 de março de 2020

POR QUE SOU DA PALMA. A CRÔNICA CONTINUA!!

E já que a crônica continua,
Eis mais historietas e tipos humanos da Palma:
Quem lembra da COBAL, ao lado do Mercado Público?
Foi o nosso supermercado, a mercearia ambulante.
Andando rua abaixo, vi o seu Antonio Alves,
com o calçamento espraiado de chapéu.
E não posso deixar de falar do saudoso e inesquecível Antônio Araújo,
o seu Toin, ao lado do oitão da casa, espraiando o chapéu pra “informar” depois.
Sob a caldeira escaldante, vi muitas vezes o seu Chaves, com o seu rosto pingando de suor,
enfrentando o caldeirão ardente.
Ser da Palma é ter visto e sentido tantas coisas...
Coisas que estão na parede da memória, coisas que não se apagam, não se vão!
Nem o tempo é capaz de apagar.
Ser da Palma é ter dançado no forró pé-de-serra, no xote da sanfona do Raimundo Cassimiro
ou do Timbeba, na cabana do Dourado.
Ser da Palma é ter conhecido a Barbearia “O Zé Irineu”. O seu Zé, com retrato de mulheres sensuais na parede, fazendo cabelo, barba e bigode.Na parede, as pinturas realistas e tridimensional, com Nossa Senhora na copa da árvore salvando um caçador das presas de uma cobra gigante.
Ao lado da memorável barbearia, no casarão da esquina, estava o ilustre Ubirajara Angelim, registrando a meninada que nascia.
Tudo isso e muito mais foi a Palma de outrora, dos tempos dourados que não voltam mais!!!
(Davi Portela)

domingo, 22 de março de 2020

POR QUE SOU DA PALMA
Ser do Coreaú é ter tomado banho na histórica barragem do nosso rio.
Ser do Coreaú é ter conhecido a ginga do velho Vicente Chico nas rodas do maneiro-pau.
Ser da Palma é ter ouvido as anedotas do saudoso João Leotério, com as histórias de caçador nas noites de lua cheia.
Ser do Coreaú é ter visto o saudoso Zé Baú na sua cinquentinha, carregada de menino.
Ser do Coreaú é ter visto o “Malvado” na coluna da hora,na romântica praça da matriz.
Sou do Coreaú e já vi o Bar do Josafá, ao lado da Casa Leite, próxima ao Bar do Cará.
Vi o seu Chico do Santo, com o seu pijama listrado, na calçada do Mercado Público.
Também vi o saudoso e extrovertido Pedro Biló, com seus gracejos e brincadeiras jamais esquecidas.
Ser do Coreaú é já ter degustado as broas que deram nome à Palma.
É também ter visto a canoa do seu Valto, cortando os remansos das águas do rio.
Ser da Palma é comer a famosa e saborosa tapioca do seu Chico Cristino e ter ouvido os dobrados do “Taxicó”, o seu Chico Irineu, de feliz memória.
Não posso ser plenamente palmense sem ter olhado com amor e encanto para o Serrote da Palma na florada do pau d'arco em flor.
Sou palmense e tive o prazer de ter ouvido o Zé Canarim e o Cordeiro, quando a banda passou.
Sou do Coreaú e já bebi água das cacimbas da Ponte Velha de Madeira e do Poço do Carro.
Ser do Coreaú é conhecer a história do “Rabo da Gata”, o nosso Pelourinho!
Ser do Coreaú é ter visto a Chaga Mossoró, rua acima, rua abaixo, sem rumo, sem direção, “sem lenço nem documento”.
A minha terra "amanhece na luz da campina” e “anoitece no meu coração".
Sou da “Terra da Luz” e sou da Palma-Coreaú.
E o poema não acaba, as crônicas continuam, pois “quem conta um conto, aumenta um ponto”.Agora é com você!!
Davi Portela

domingo, 27 de janeiro de 2019

PALMA: A Poesia dos Contextos


Madrugada, é descanso!
Ninguém passa, é repouso!
 A torre, no alto, observa:
o canto da "rasgadeira", 
do pardal, da andorinha. 
Todos dormem, menos as casas,nem a Matriz! 
O sino dorme.
Mas não se cansa de “badalar”, 
de nos chamar à Palavra, 
Palavra que pode nos dá o eterno descanso!
Todos dormem, Menos a praça, 
a Praça da Matriz, 
que fica lembrando 
a presença imanente dos namorados
das famílias, das homilias, dos encontros...!
Tudo fica no inconsciente. 
As pessoas dormem, a praça, não! 
Tudo passa, o concreto, não!
 A cidade fica acordada,
 como quem vigia,
 feito as corujas da noite, 
taciturnas e misteriosas, 
vendo o tempo passar! 

(Davi Portela)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

TELA DA IGREJA MATRIZ DE COREAÚ


Observem esta imagem 
Feita com simplicidade 
Pelos alunos do Ginásio 
Símbolo em nossa cidade 
É nosso cartão postal 
Nossa religiosidade 

Não é dum Portinari 
Nem Tarsila do Amaral 
É de alunos criativos 
Cursando o GINASIAL 
Mas com força de vontade 
Um dia se igualam aos "tal".

(Davi Portela)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

OS CRISTOS DESTE MUNDO

Se Cristo viesse ao mundo de hoje?

Seria humilhado e maltratado, assim como o foi!

Os pregos e cravos que penetraram o seu santo corpo, sem dúvida, hoje o penetraria com tamanha perversidade!

Muitos dizem: “- Oh, Cristo, quando Tu virás? Sou uma das tuas ovelhas!

Entre anjos e trombetas, o livro sagrado anuncia a volta arrebatadora do Salvador.Não diz quando nem onde...

Somente diz que Ele virá na glória de um rei celestial! Um rei? Eis a questão! Um rei...

Mas os homens de pouca fé não conseguem ver que o Messias – o rei - já está aqui, está no meio de nós, está em muitos lugares!Está na pessoa do aleijado, do encarcerado, dos sem-terra e sem-teto, dos famintos, do menino de rua – o andarilho errante e perdido no mar dos desesperançados - do drogado e dos órfãos de justiça!O Messias está em tantos personagens da vida marginalizada!!Até mesmo os que dizem que são “tementes a Deus” não sabem que o Cristo se faz na pessoa dos pobres de espírito; Quando pregava às multidões, o Salvador disse “Não vi para os sadios, mas sim para os doentes!”

Muitos dizem ter fé! Muitos estão nas sinagogas buscando a Verdade, mas em verdade, muito provavelmente, são eles os fariseus, demagogos e “falsos profetas”. Escutam muito mais os tilintar das moedas, e se fazem de cego e mudo perante o sofrimento do irmão. Sim, do irmão! Aquele mesmo irmão de “carne e osso”, com os defeitos e necessidades! O Cristo disse: “Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Muitos dizem ter fé, porém, é uma fé cega e surda! CEGA porque não conseguem ver os irmãos-CRISTO a perecer no mar da amargura, nos guetos fétidos e desumanos, sem nenhuma perspectiva do agora e do depois! SURDA porque não conseguem escutar os clamores das minorias oprimidas, da mensagem evangélica que sai da boca dos Cristos deste mundo!

O Cristo está aqui! Vive entre nós! Está tão perto, porém, tão distante! Perto porque são muitos os que pedem clemência! Está longe dos corações petrificados, insensíveis ao sofrimento do irmão. E agora, o que fazer?! Amá-lo ou ignorá-lo?! Afinal, veja que não é aquele REI tão pomposo, cheio de glorias e trombetas; nem é aquele Cristo branco, pintado bem ao gosto da Europa, e não ostenta luxuria nenhuma! É apenas um irmão-Cristo, um irmão terreno que pede auxílio e proteção! É tão somente o meu, o teu, o nosso Messias gritando por uma sociedade que tenha, como base primacial, a igualdade, a fraternidade e a liberdade. Esses são os Cristos deste mundo!!

Davi Portela
Membro da APL

domingo, 25 de agosto de 2013

DOM BENEDITO, O IDEALISTA DA EDUCAÇÃO COREAUENSE


Para gosto e felicidade de todos os coreauenses, nasceu a 24 de Agosto de 1928 o nosso querido e amado Dom Benedito. O nascimento de uma pessoa de espírito nobre e de grandes ideais culminou com feitos dos quais até hoje as gerações mais jovens são beneficiadas, a exemplo do Ginásio Municipal Nossa Senhora da Piedade. A referida instituição tem sido, ao longo da história da educação do Município de Coreaú, pioneira em oferecer educação básica de ensino fundamental (àquela época, anos 50, ensino elementar ou ginasial). 

Dom Benedito é e sempre foi um homem comprometido com as questões sociais e movido por esse compromisso utilizou-se de todo conhecimento e sabedoria que a vida lhe imprimiu para trabalhar em prol do bem comum. São frutos desse trabalho, além do Educandário Nossa Senhora da Piedade, a construção da Igreja de São Francisco e a fundação do Círculo Operário Rural de Coreaú, conforme registros do historiador e escritor Leonardo Pildas, em seu livro “História de Coreaú: 1702-2002”.

Por tudo isso, a data de hoje rende aos coreauenses muitos motivos para festejar o aniversário natalício de um homem que há 85 anos trouxe-nos a alegria de nascer na pequena cidade de Coreaú, então denominada Palma.

Parabéns, Dom Benedito, pelo trabalho e exemplo vivo de fé no homem e em Deus, elementos imprescindíveis naqueles que apostam no esforço de tornar esse mundo melhor. Sua trajetória de vida é um livro no qual muitas lições valiosas estão inscritas! Parabéns pela data festiva e que o Senhor Deus, nosso Pai Maior, cubra-lhe com as bênçãos da saúde, da longevidade e da vida plena! A gratidão sincera de todos que fazem a Escola Ginásio Municipal Nossa Senhora da Piedade, fruto doce de seu incansável trabalho!!! 

Davi Portela

segunda-feira, 3 de junho de 2013

A HISTÓRIA EM VERSO E REVERSO

Quem tu achas que estás enforcando, ó carrasco?
Tiradentes?!
Pois saibas que esquartejas a República e fundes os grilhões da louca Dona Maria!
Estás, sem êxito, calando o grito de liberdade, desviando os ventos da mudança... Mas eles virão, são como as nuvens, tomam novas formas, embora aparentemente passageiras!
E tu, Silvério... Quem tu achas que estás traindo? 
Não sabes, ó venal Judas da Inconfidência, que a tua delação é a voz que condena o Brasil ao “quinto” dos infernos...?

Soldados... Em quem estais atirando neste sangrento domingo russo?
Acaso sabeis que estão matando vossos irmãos, compatriotas, que lutam contra a fome, a violência, o autoritarismo deste desgoverno despótico que patrocina a miséria!
Soldados... Lutai contra o opressor, e não contra o oprimido!
Glória aos que foram à floresta porque não temeram aos “lobos”!
Glória a Lenin!
Glória ao povo!

E tu, capitão-do-mato... Por que matas a tantos irmãos da Mãe África? Se a força que corre na tua veia é o rubro sangue daquele chão negro?
Não sabes que também estás destribalizado, com a memória dilacerada no tronco e nas algemas desta vil escravidão? Não sejas covarde, insensato e traidor!
Não te enganes, és apenas um ludibriado serviçal do senhor da Casa Grande... a tua senzala! E no infeliz dia em que não servi-lo mais, ah, servo da insanidade, verás no tronco, em letras grandes, a tua sentença e ele te servirá de refúgio, nas horas que tua consciência falar: 
- Quantos de meus irmãos prendi neste tronco atroz e os atirei na fétida senzala!
E dirá mais ainda:
- “Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus...”.
Do sangue que derramaste serás  co-artífice do horror e do elogio à loucura!

Ó povo... Por que estás fazendo a Revolução, derrubando a bastilha, este antro de tortura, esta cruel prisão? 
Pois bem... Depois a burguesia amiga, ávida pelo vil metal, passará de perseguida a perseguidora!!
Ou tens a  burguesia como companheira de combate? 
Ela matará o nobre, mas também esmagará o servo que luta por terra e pão!
Derrubará o primeiro Estado, e matará também o primeiro que levantar armas contra o selvagem capitalismo e a todos que lhe disser: - Não!
Essa nova ordem e seus revolucionários, iluminados homens, trocarão o direito divino de nascimento pelo “divino” direito do dinheiro...  É ter para ser!
Agora, a história é outra...!
Esses míseros homens das fornalhas, das máquinas e da Revolução dirão:
“Operários de todo mundo, uni-vos!”
A aburguesada revolução  devorou seus filhos, aniquilou seus pares! Onde está Robespierre, com seus inflamados discursos? Danton? E o incendiário Marat? 
Por ironia do destino, foram à Navalha Nacional!
E os direitos do homem, tão bem redigidos?!
- Diluiu-se em sangue...!
Os filhos da revolução devorados pela própria mãe....! Os fingidos burgueses queriam ascensão... E o povo...? - “que coma brioche!!”
- Que deboche!!
Cuidado, companheiro, assim é o motor da história.
Nos “Versos Íntimos” da poesia, “atrás de portas fechadas”, alguém diz:
- “O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.”
Assim foi Judas... Que por umas míseras moedas vendeu sua honra (se é que tinha).
Assim foi Silvério... Que por meras conveniências levou o sonho republicano ao cadafalso! Que falso...!

E a história se repete noutros palcos, com outros personagens... a trama e o enredo, porém, nada mudou! 
- Ah! Liberdade, Igualdade e Fraternidade, aonde andas?
A história é dádiva da traição! E no fechar das cortinas sagram-se casamentos arranjados..., frutos de esdrúxulos acordos politiqueiros! 
A história se faz no motor das conveniências, movida pelo jogo de interesses escusos,  no ludibrio da falsidade e da ânsia pelo poder!

Davi Portela
Membro da APL

sexta-feira, 24 de maio de 2013

UMA FÁBULA À MODA PALMENSE

Num reino muito pertinho de nós, chamado “CROAHU”, situado numa “várzea grande”, havia um belo rio de magnífica ribeira, com águas límpidas e cristalinas. Numa época anterior à poluição, tão comum nos dias atuais, as aves bebiam das águas desse rio e nele as pessoas tomavam banho nas manhãs ensolaradas. Nas proximidades, vivia um REI que muito fazia para agradar os seus súditos. Porém, mesmo diante dum trabalho de Hércules para governar com soberania e altivez, não conseguia suprir as necessidades mais prementes do seu povo. E o tal rei resolveu buscar a solução mais sensata para poder honrar sua gente e merecer os elogios de um digno soberano. Então saiu mundo afora para tentar encontrar a maneira politicamente correta para a tão sonhada boa governabilidade. No meio de sua busca, ele encontrou uma senhora e fez a seguinte pergunta:

– Olá, como vai? Como a senhora se chama?

– Quem?! Eu? 

– Sim, a senhora! 

– Eu sou a VOZ DA CONSCIÊNCIA! O senhor não me conhece? Tem certeza? O que deseja de mim?! E o porquê da pergunta? Indagou a autêntica senhora.

O rei, humildemente, explicou a razão da pergunta.

– Sabe, senhora VOZ DA CONSCIÊNCIA, eu sou um grande rei, tenho muitos súditos e eles muito têm pedido o meu auxílio. Entretanto, não tenho conseguido fazer um reinado que realmente zele pelo bem-estar da sociedade, independentemente de quem quer que seja. Então, decidi olhar para dentro do meu mundo, dos outros “reinos”, olhar pra dentro de mim mesmo pra encontrar a resposta e solucionar este dilema. A senhora pode me ajudar? Ficarei grato e todo o meu povo!

– Ó, Vossa Majestade, sentirei o maior regozijo do mundo em poder fazer alguma coisa pela nação, e algo posso lhe dizer: tudo depende da sua consciência, da vontade política em querer mudar a realidade do seu reino. Mas conheço uma pessoa que lhe dará a resposta e a solução mais inteligente! 

– Quem é?!

– É uma senhora que está em TODO LUGAR!

– Não entendi! Onde ela mora?

– Ela mora perto de Vossa Majestade e de todos NÓS! É a senhora COMUNIDADE! Ela poderá ajudá-lo a encontrar a saída que tanto o meu rei procura.

Sem que o rei procurasse muito, logo ali estava a senhora COMUNIDADE, ao alcance de sua vista. Depois de um olhar atento, não foi difícil ao nobre soberano perceber que a senhora COMUNIDADE andava maltrapilha, cheia de necessidades, a mendigar o mínimo para sua sobrevivência. Mesmo com tal aspecto, a senhora se mostrava sábia a tal ponto de expor ao rei tudo o que sentia e sabia a despeito do seu governo. O soberano achegou-se a ela e pediu:

– Senhora COMUNIDADE, agora sei que somente você pode me ajudar e a todo o meu povo. Por obséquio, sem delongas e sem demora, diga-me o que posso fazer para receber o título e as honrarias de um autêntico administrador da coisa pública. 

– Senhor meu rei, estava mesmo à sua espera! Disse a COMUNIDADE. Até pensei que Vossa Majestade não viesse mais! "Palmas" pro senhor e vamos ao que interessa à nossa nação! Mas lembre-se: "A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las". Assim dizem os poetas!

– Olhe, senhor, um grande gestor precisa, antes de tudo, de uma boa assessoria, de excelentes "cortesões", precisa estar ombreado por pessoas sérias, competentes e que queiram o bem comum, ou seja, da COMUNIDADE. O senhor precisa, urgentemente, desfazer-se de um grupo "cancerígeno", tal qual cupim de terra ou barro de cemitério, que devora silenciosamente. Tome cuidado! Peça ajuda àquela senhora que encontrou no meio do caminho: a VOZ DA CONSCIÊNCIA. Veja, meu rei, tome precaução com os falsos amigos, com as falsas afinidades partidárias, com os "Judas" que cheiram e respiram dinheiro. Eles não são, decerto, amigos e súditos fieis!

Diante disse, o rei contestou:

– A senhora está enganada! Eu tenho verdadeiros amigos, leais a mim, que prezam por minha pessoa e não pelo prestigio advindo do poder que a mim foi dado.

– É ledo engano de sua parte! Retrucou a COMUNIDADE. Até mesmo Cristo foi traído na hora em que mais precisou. Jantando com seus discípulos, convivendo com eles, emprestando-lhes seu ombro amigo, Jesus foi, de repente, traído em troca de algumas míseras moedas de prata. 

Nisso, chega sorrateiramente, a VOZ DA CONSCIÊNCIA e declara: 

– No reino do “CROAHU”, temos um exemplo que dá nojo, senhor rei. Escute bem, veja só: já tivemos um rei, um grande homem que, infelizmente, o Criador o chamou prematuramente ao seu convívio. Ele era amado, bajulado pelos falsos amigos e correligionários. Mas, morrendo tal rei, antes mesmo que seu corpo esfriasse e fosse levado à terra fria, aqueles que diziam: "Senhor, eu te amo, eu sou fiel a ti, eu sou do teu partido", covardemente, correram para abraçar e pisar no "tapete vermelho" do sucessor do "trono". 

Depois de uma pausa, continuou a sábia senhora:

– Um grande rei não pode ser benevolente com pessoas que põem em primeiro lugar seus interesses pessoais em detrimento do bem público. Procure acompanhar-se de homens que o valorizem pela sua capacidade de trabalhar em prol da comunidade e afaste-se daqueles que o procuram simplesmente por causa do poder que ora ostenta. 

Em tom afirmativo, concordou a senhora COMUNIDADE:

– Isso mesmo, Majestade, acautele-se contra os beijos dos "Judas", contra as mãos frias de afeto e sinceridade que o senhor tem apertado. Esteja de olho vivo com as "continências" do dia-a-dia, imbuídas de interesses pessoais. Todo cuidado é pouco! Tenha muita cautela naqueles rituais do "beija-mão"! "Num mundo que se faz deserto, temos sede de encontrar um amigo".

Mais uma vez pede a palavra a VOZ DA CONSCIÊNCIA:

– Senhor meu rei, gostaria que Vossa Majestade valorizasse mais os filhos deste solo, aqueles que aqui têm raízes fincadas. É sabido que o nosso "CROAHU" tem dado guarida aos forasteiros, a tal ponto do adágio popular dizer que nossa terra é MÃE para os estranhos, e MADRASTA para os legítimos filhos desta "PALMA" de chão. Comenta-se, meu senhor, que súditos de outros reinos têm "criado sebo no rim". E o nosso povo?! E a nossa gente?! Ó, senhor, que as minhas palavras ressoem na sua CONSCIÊNCIA. Assim seremos, segundo sua vontade, uma grande nação, um reino que trabalha pelo engrandecimento cultural, econômico e político de nossa gente.

Depois de ouvir tais considerações, o rei queda pensativo. Ergue-se em gratidão pelos conselhos recebidos e entra na sua carruagem real. Antes de partir, a senhora COMUNIDADE o chama:

– Espere senhor! Ainda tenho mais a lhe dizer: trabalhe incansavelmente pela educação (a redentora), pela saúde, pela infra-estrutura da nossa terra. Assim, Vossa Majestade terá a admiração, o respeito, o reconhecimento justo do seu povo. Tenha ouvidos sensíveis para os reclames da sociedade. Saiba que "apenas se vê bem com o coração, pois nas horas graves os olhos ficam cegos", como tão bem disse Saint-Exupéry. Não esqueça jamais de repassar esta nossa conversa ao seu sucessor, para que ele também aprenda que a POLÍTICA é a arte do bem governar. Que o seu espírito se eleve para ouvir a comunidade! Lembre-se sempre daquela mensagem do Pequeno Príncipe: "O que conduz o mundo é o espírito e não a inteligência". Senhor rei, vá e cuide muito bem de nosso "CROAHU", ele é a nossa "ROSA". Ah! mais uma coisa: "fuja do elogio, mas tente merecê-lo". Para tanto, faça um governo embasado nos valores da justiça, da liberdade e da fraternidade humana.

E o rei partiu, ruminando as tão sábias palavras ditas pelas duas senhoras que encontrara em sua viagem. Teriam elas razão?! 

Davi Portela
Membro da APL

quarta-feira, 15 de maio de 2013

TERRA QUERIDA

Minha terra já foi Várzea
Grande minha terra é,
Do Rio Coreaú, onde bebiam os curiás
Nas suas margens a gorjear.

Minha terra já foi Palma,
Na minha palma minha Palma vive,
Palma de muitos amores,
Coreaú de tantos primores.
Terra de Nossa Senhora
Piedade também há,
Onde cantou o curiá.

Nossas ruas são pacatas,
De um povo manso e tranquilo,
De uma gente trigueira,
Do branco, do negro, do índio,
Matriz da nação brasileira.

Minha Palma já foi Várzea,
Grande palma do coração,
Coreaú dos curiás,
Que nas margens desse rio
Viviam a gorjear.

Permita Deus que eu possa
Ver o belo rio,
Que um dia teve vida
No canto do curiá.
Quero ver em suas águas
A luz do sol brilhar
E que um dia os curiás,
Nas suas margens, voltem a cantar.

Davi Portela
Membro da APL

domingo, 5 de maio de 2013

A AURORA DOS MEUS ANOS

Nino e o Pião, de Márcio Pita

Ah! que saudade que dá
Da meninice querida,
Do belo tempo da vida
Que o cruel tempo levou!

Que amor... quanta saudade
Daquelas noites brejeiras,
Dos namoros inocentes,
Diferentes de agora,
Perto da tamarinheira,
Junto à coluna da hora.

Lembro com muita saudade
Das travessuras que fiz,
Quando água ia buscar
No saudoso chafariz.

A  Palma amada e querida
No tempo em que era menino,
Lembro  do toque do sino,
Nas tardes de domingo
No alto da nossa matriz.

Ah! minha Palma, meu lar,
Do céu das noites escuras,
Das noites de lua cheia,
Lembro com muita saudade
Da minha tenra idade
Que o tempo de mim roubou.

Oh! meus dias encantados
Ah meus sonhos ... as  quimeras
Quão doce a vida era,
Vida de paz e de amor!

Lá no meu interior,
Brincava com a meninada
Nas noites enluaradas,
Ouvindo o sapo cantar!

Tomava banho de açude,
Que alegria, que vida!
Não tinha a vida sofrida,
Que a idade faz penar.

Tempos bons... tanta alegria!
Naqueles anos dourados,
Naqueles tempos passados,
Foi bom tempo de brincar.

Que primor! Relembro agora
Das tardes de brincadeira,
Dos meus carros de madeira
E das gaiolas de palmeira,
Que sempre irei me lembrar!

Na aurora dos meus anos,
Foi tão bom... foi primavera,
Tempo de flores, a vida era.
Nas cheias do nosso rio
O bom mesmo foi nadar.

E não posso esquecer
Dos meus banhos na barragem,
Ficou a mais bela imagem
Do retrato a emoção!
Da canoa do Seu Valto
Bate forte coração!

Aviso a quem é menino
Que não perca tempo agora,
Esta é a trajetória
Que os anos irão levar!

Davi Portela
Membro da APL
(Parodiando Casimiro de Abreu, “Meus oito anos”)

domingo, 28 de abril de 2013

Pro(RE)gresso Científico

Ó progresso, a tua Ciência
Tem deixado muito em clemência
A guerra, a violência aumenta cada dia mais
Será que os conflitos não cessam jamais?

A ciência vale a pena? Nada vale a pena
Quando a alma é pequena

Bem sei eu que a ciência salva a nação
Mas sob o signo do progresso tem trucidado a criação
Quem quer passar além da dor
Tem que cultivar o amor
Deus ao homem a ciência deu
Mas é ela que contraria o céu.


Parodiando Fernando Pessoa, Mar Portuguez
Davi Portela
Membro da APL

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Sou Índio, sou brasileiro. Sou independente?

Sou brasileiro!
Mas tenho vergonha do passado
E do presente!
Quando aqui chegaram “os donos do mundo”
Pra usar o alheio e servir de mau exemplo às futuras gerações – presente vivido
Portanto me envergonho do que aconteceu em mil e quinhentos...
Sou brasileiro!
Mas tem uns “mas” ... e mais:
Mas tem pessoas desonestas
Mas tem prostituição infantil
Mas tem o perigo constante
E é aí que baixo minha cabeça
Quando me lembro da corrupção com consequências imediatas
Posso até dizer que sou brasileiro...
Mas preciso dizer tantas coisas:
Salário minguado
Desvios de verbas
Paraísos fiscais

Também tenho que dizer:
O paraíso dos ricos é o inferno dos pobres.

Sou brasileiro!
Mas queria ser daquele belo tempo
Dos índios tupis
Da tribo guerreira
Do povo caraíba
Dos Jês e Tupinambás.
Queria ser do tempo
Em que ninguém era brasileiro
Não precisávamos de dinheiro.
Vivíamos em tribos reunidas, compartilhando os mesmos ideais.
Não havia corrupção, nem ganância pelo poder.
Não havia miséria, nem salários de fome.
Vivíamos da terra, do que nos dava a Mãe-Natureza.
A aldeia era o nosso lar.

Mas amo minha terra
Ela não tem culpa
Só quer o nosso bem-estar social...
Bem que ela tenta produzir e repartir o pão

Davi Portela
Membro da APL

sexta-feira, 19 de abril de 2013

É... Somos nordestinos

É!
É sim!
Dentro de mim, tem alguém dizendo: “faça valer o nosso amor”!
Fora de mim, tem sangue e suor!
No meu sorriso, quero estrelar o nosso humor e emoção!
Somos nordestinos!
É sim! Somos do bom e do melhor!
É sim! Somos calor, sol e mar no coração.
Não temos cara de panacas!
Não somos babacas!
Somos uma nação na Nação!

É! É! É! É! É! É! É! É!...
A gente quer direito em plenitude.
Queremos cidadania.
A gente repudia a hipocrisia!
É!
Somos “o pinto dentro do ovo, aspirando ao mundo novo”!
 Assim poetizou o pássaro de Assaré!
Dentro de mim e de nós, tem um Gonzaguinha!
Tem o brioso poeta-cantor filho do Rei do Baião!
Aquele poeta com força na pena, de letras que exala cidadania e  determinação!
No Mucuripe deste Siará Grande, esta bela e grande tribo disse não à cruz e ao canhão!
Somos nordestinos, mas “"nordestinados”, não!!


Davi Portela
Membro da APL

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O ROCEIRO É “ANTES DE TUDO UM FORTE”

Não dá mais para mudar
O que é modo de vida.
Assim vive o roceiro,
Eita que vida sofrida!
Mesmo naquela secura,
E pede a Deus nas alturas,
Benção, coragem e guarida!

O roceiro vive assim:
A enxada é seu trator,
O fogo é limpa chão,
Eis aí o seu labor!
Pois o suor cai na terra,
Mas não reclama nem berra
E tudo faz com primor!

Quando broca o seu roçado,
Ajunta logo a coivara,
O garrancho espinhento,
Faz aceiro, juntas as varas.
Lá vai fogo, São Lourenço!
A camisa é o seu lenço
E tira o suor da cara!

Assim fala os “Sertões”
Do Euclides da Cunha
“É antes de tudo um forte”
Se conhece pelas unhas
É o guerreiro do norte
E cumpre bem sua sorte
Eis aí sua alcunha!

Davi Portela

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Pizza à brasileira

Que corrupção!
Que vergonha nacional.
Brasil da dança da pizza.
Brasil, a estrela se apagou.
“Brasil, mostra a tua cara”
Cara de mensalão!
Cara do caixa dois!
De pizza com dissabor de vergonha.
Da dança desavergonhada.
Brasília, tenho vergonha da tua cara.
Cara de nepotismo
De continuísmo
Da releitura de governos de outrora
De políticos que não dividem “o pão nosso de cada dia”,
Pois repartem consigo a pizza dos larápios.
Brasil, esta é a tua cara?!
Cara de políticos do venha a “nós o vosso reino”,
E ao povo, Deus dará.
Que país é esse?
É o país dos PHDs em corrupção!
É o país da bolsa esmola que vicia o cidadão.
É o país do “fome mizera”.
País que prende o pobre ladrão de galinha – uma “merreca”!
Mas não enjaula o marajá de colarinho branco com dinheiro na cueca.
Brasil da decepção!
Brasil da depravação!
Brasil da grande mordida do leão
Onde o lema é: “um pra tu, dois pra eu”!
País que pede com a “esquerda” e extorque com a “direita”
Brasil do imposto sem renda,
Das garotas à venda,
Talvez pra gerar receita!
“Brasil, meu Brasil brasileiro”.
“Terra de samba e pandeiro”
“Ó pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve!”
Onde até a impunidade tem cadência,
Na dança da indecência.
Brasil! Tu precisas de uma limpeza moral.
Brasil das CPIs
Que terminam em pizza com recheio de impunidade.

Davi Machado Portela
Membro da APL