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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

CAMPO DA BARRAGEM


Quando o dia amanhecia em Coreaú, no início dos anos 1980, especialmente nos finais de semana, a primeira providência era me juntar ao irmão Gerôncio, aos amigos de infância do bairro, mais precisamente aos da Rua Joaquim Machado (onde morei), Rua do Peão, Rua de Baixo (Rabo da Gata) e Rua dos Boeiros (apelido de uma família), a fim de jogarmos de bola (futebol) no campinho da barragem que dá acesso hoje à ponte do Rio Coreaú rumo ao distrito de Araquém. O campo ficava às margens do rio, por detrás, atualmente, da oficina mecânica do Dill e da oficina de bicicletas do Gentil (outro irmão meu). 
Meu pai não aceitava muito a ideia de que jogássemos bola, pois tinha receio de que quebrássemos a perna ou o braço. Mesmo assim, teimosos, e às escondidas, deliciávamo-nos no campinho. Ao final de cada partida, o time perdedor corria para dentro do rio e ficava tomando banho, de modo a diminuir o cansaço e acabar com a suadeira no corpo. Como a água não era tão impura, às vezes até dela bebíamos, diminuindo nossa sede. No meio da manhã, perto das 9 horas, exaustos e com fome, tomávamos refresco de Q-suco com pão ou “solda de massa do trigo”, que eram feitos na padaria do seu Quico (avô materno do advogado Marden Fontenele). 
O goleiro dos times que íamos formando ficava entre duas traves (geralmente duas estacas de madeira que retirávamos de algum cercado próximo ao rio). Aquele era escolhido dentre os que não se destacavam na “linha”. Havia os preferidos para atacante (ou centroavantes) por dominarem bem a bola e por serem exímios dribladores e goleadores com jogadas espetaculares. Nesse rol, destaque para o Juquinha (filho do senhor Edmílson Boeiro) e para o Benedito Tiziu (filho da dona Mazé Nicasso, ou Mazé Alprimo). 
Eram vários os nossos contemporâneos, todavia recordo-me perfeitamente dos amigos como o Lilico e o Baía (filhos do Chico Martins), o primo Idelmond e o irmão dele Baía (hoje Zematur), o Beneditinho do João Quintiliano, o Raminho do Raimundo Juvenal, o Babá e o Helinho (irmãos do Juquinha), o Bartolomeu, o Totinho e o Valdir (irmãos do Nonato do Feijão), o Raniere (hoje Grendene), o Bernardone (apelidado Canona, que é irmão do Tiziu), o Joélio do Zé Belchior e até o Dr. Francimor. 
De todos os citados acima, o Juquinha era o único com vaga garantida, por ser considerado um craque. Infelizmente não se encontra mais entre nós. 
O campinho da barragem não mais existe. Dele, restam estas doces lembranças.

Fernando Machado Albuquerque

sexta-feira, 23 de maio de 2014

DONA TEREZINHA, MINHA PRIMEIRA PROFESSORA



No ano de 1976, eu tive a oportunidade de ser alfabetizado, informalmente, pela professora Terezinha, filha do senhor Valdemar.
Seu Valdemar, casado com dona Maria, morava em uma casa que fica na esquina da Rua dos Boeiros com a Rua Dr. Manuel de França, ali bem perto da antiga Cadeia Pública, onde funcionou a Rádio Princesa do Vale FM. Era também o pai do Otávio da dona Nega (que era o chefe da "Coletoria da cidade" – um cargo semelhante ao atual Auditor Fiscal da SEFAZ-CE), do Valtinho da Canoa, do Evangelista (comerciante) e da dona Aparecida (esposa do Domingos da Barra). 
De início, relutei em ir pela primeira vez à aula da professora Terezinha. Talvez por acanhamento ou por medo de enfrentar novas situações. Minha mãe me deu lápis, borracha e uma cartilha chamada Cartilha ABC. A professora Terezinha alfabetizava várias crianças. As aulas ocorriam no prédio onde hoje é o comércio do senhor Evangelista, na Rua Dr. Manuel de França. Ela fazia uso, quando necessário, da famosa palmatória; no entanto, nunca recebi dela os castigos da época, pois era quieto e estudioso. Minha mochila escolar era uma embalagem de plástico, de biscoito "cream-cracker" vazia. Eram muitos os colegas de classe. Eu tinha que acordar cedinho. Enquanto a professora não vinha, em frente à "casa de alfabetização", a gente ficava brincando de bila (bola de gude) ou de bola. 
Lembro-me, por demais, do amigo de sala, de apelido Xoxita, filho da dona Terta, que morava vizinho à casa do senhor Raimundo Paredão, lá na Rua do Peão. Raimundo Paredão, por seu turno, era o pai do Cabral e do Baigon. Homem trabalhador, motorista exímio, que dirigia o caminhão do seu Zeca Totonho (ou do Luiz Totonho). Sempre levava carradas e mais carradas de algodão a Sobral. Xoxita era meio esquálido, canhoto, cabelos encaracolados. Era um menino bom. Nunca mais o vi e nunca mais tive notícias dele. 
Depois de aprender a ler e a escrever, bem como de realizar algumas "contas" de matemática, principalmente cálculos de tabuada, a criançada era considerada apta e ingressava na escola formal. Comigo deu bom. O meu processo de alfabetização foi tão rápido, mas tão ligeiro mesmo, que meus pais me matricularam logo no "Grupo Vilebaldo", na 2.ª série inicial, ou seja, sem a necessidade de fazer a 1.ª série.
Foi, então, graças à professora Terezinha do senhor Valdemar que eu, menino tímido e retraído, ingressei no mundo da leitura, do saber escolar. Concluí o 1.º Grau todinho no Grupo (Escola Vilebaldo Aguiar). Minha farda era um par de tênis, tipo conga, meia branca, calça comprida azul e camisa de tecido branca com o logotipo da escola. 
Terminado o 1.º Grau (Ensino Fundamental), estudei em seguida na Escola Normal Nossa Senhora da Piedade, de 1983 até 1986. Hoje sou professor da Escola de Ensino Médio Vilebaldo Aguiar, o antigo "Grupo", de onde, como disse, fui aluno por muito tempo. Também já lecionei na Escola Normal Nossa Senhora da Piedade, já extinta.
Quantas lembranças gostosas! Velhos tempos que não voltam mais!
Depois, eu conto mais. 

Coreaú-CE, 23 de maio de 2014.

Fernando Machado Albuquerque
Professor
Membro da APL 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

DEVAGARZINHO, A GENTE CHEGA DEPRESSA

Lembro-me perfeitamente da época em que eu trabalhava na bodega de meu pai, juntamente com meu irmão Gerôncio, entre a segunda metade dos anos de 1980 e começo dos anos de 1990, no “Rabo da Gata”, na sede de Coreaú.

Eram muitos os fregueses, sobretudo constituídos por gente simples do interior do município, que vinham de várias localidades, como Malhada Vermelha, Alto dos Ximenes, Cunhaçu Velho, Cunhaçu dos Sales, Raposa, Boiadas, São Vicente, Lagoa do Mato, Corredores etc. Porém, havia aqueles compradores da própria Rua de Baixo (Rabo da Gata), a exemplo das pessoas de Antônio Bilé e dona Zali, Chico Martins e dona Levi, Antônio Conrado e dona Fransquinha, Antônio Ludovico e dona Franci, Creci e Neoci do Chico Doca, Neném Amaral, enfim, quase todos os moradores da sobredita rua.

Naquele período, comprávamos ovos de galinha à caipira, chapéus de palha, algodão, castanha de caju, peles de criações (couros de bode, cabra, carneiro, ovelha) dos clientes das localidades mencionadas, os quais, com o dinheiro arrecadado realizavam suas compras. Nalgumas oportunidades, ficavam ainda nos devendo, sendo certo que fazíamos anotações em cadernetas (ou em cadernos mesmo), valendo destacar que todos ou quase todos honravam com seus compromissos e agiam com estrita honestidade, inobstante as dificuldades por que passavam em dado momento.

Quando meu pai - experiente que era no comércio – percebia que um dado freguês nosso não estava mais podendo pagar uma conta antiga, pois vultosa ficara, ele chamava o devedor e lhe dizia que podia ficar comprando à vista e, num momento futuro, receberia sem o impacto de juros aquele débito anterior.

Por muitas vezes nos deparávamos com o movimento da bodega “fraco”, e eu me punha a reclamar. Dizia que iria abandonar o ramo do comércio e seguiria a carreira estudantil. O senhor Antônio Conrado, freguês e morador da Rua de Baixo, depois do almoço, amiúde vinha conversar comigo. Fumando seu cigarro “Belmont”, de pé, escorava a sola de um dos pés na quina do portão da bodega, e dizia “Fernando, calma. Devagarzinho, a gente chega depressa”.

O senhor Antônio Conrado me falou isso inúmeras vezes, a ponto, claro, de eu nunca me ter esquecido.

Larguei a atividade comercial depois de pensar bastante e adentrei no mundo dos estudos, transformando-me, com o passar dos anos, em servidor público e professor, atividades laborais das quais me orgulho, e as quais me felicitam. 

Assim, ficou a lição do senhor Antônio Conrado: com calma, paciência e persistência, ou seja, DEVAGARZINHO, atingimos nossos objetivos e realizamos, consequentemente, nossos mais distantes propósitos, enfim, acabamos chegando DEPRESSA. 

FERNANDO MACHADO ALBUQUERQUE
Membro da Academia Palmense de Letras (APL)
Professor e Técnico Judiciário
Coreaú-CE

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

UM POEMA SEM VERSOS



Nada mais agradável do que uma leve caminhada, sandálias havaianas no pé, bermuda jeans e blusa esportiva, sem compromisso algum, pelas ruas de Coreaú, minha terra natal. Depois da labuta diária, final de tarde, em um dia qualquer da semana, atravessando a Praça da Matriz, mirando a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, contemplando, em cada passo, os pedacinhos do meu chão, dirigindo-me até o Mercado Público; dedinho de prosa com alguns bons amigos e, depois, retorno ao aconchego da família. Céu em vida!

Fernando Machado Albuquerque
Professor
Membro da APL

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O BRASIL TEM CAMINHADO ASSIM

A História do Brasil está dividida do seguinte modo: Período Colonial (1500-1822); Período Imperial (1822-1889), Período Republicano (1889-1985) e Nova República (1985 até os dias de hoje). 
No Período Colonial, ficou à mercê do Reino de Portugal que, segundo os críticos, levou toda ou quase toda nossa riqueza; durante o Império, esteve sob o mando e os desmandos de Pedro I, no chamado Primeiro Reinado (1822-1831), dos Regentes, no Período Regencial (1831-1840), e de Pedro II no Segundo Reinado (1840-1889); por último, veio a tão esperada República como forma de governo, proclamada no dia 15 de novembro de 1889, e um novo sistema de governo, no caso, o presidencialista, tendo como primeiro presidente o marechal Deodoro da Fonseca. 
A República e o presidencialismo surgiram como uma esperança para o povo brasileiro, pois iriam pôr um fim a todas as mazelas da nação. 
Mas não foi bem assim. Depois de tantos presidentes da República, entre nomeados e eleitos, o Brasil amargou regimes ditatoriais que comprometeram o futuro de sua gente. Em 1988 viu um clarão de luz resplandecer em seu horizonte, com o advento da nova Constituição, tida como a mais democrática e a mais cidadã de sua história. O século XX entrou em seu crepúsculo e a recente ordem democrática ingressou na aurora do século XXI, renovando, em nós, aquela esperança de um Brasil emergente, principalmente na seara econômica. Pela primeira vez, o País elegeu (e com eleição direta) um torneiro mecânico, o senhor Luís Inácio Lula da Silva (o Lula) no ano de 2002 e passou a ser governando por um presidente saído das entranhas do povo, não mais da elite. 
Passados quase 13 anos desse século XXI, o Brasil, no momento governando pela senhora Dilma Rousseff (nascida também das entranhas do povo), ainda não atingiu níveis de qualidade de vida satisfatórios. Vivenciamos um momento crítico, de insatisfação quase generalizada, no qual praticamente nenhum cidadão de bem acredita mais em seus agentes políticos devido ao mar de corrupção que assola nosso "berço esplêndido". Há uma onda de violência urbana jamais vista (furtos, roubos, sequestros, homicídios, etc), bem como nunca se viu tantas crianças e jovens fazendo uso de drogas, educação pública básica totalmente fracassada, outros serviços essenciais, como saúde e transportes deprimentemente sendo prestados, enfim, aquilo que as pessoas esperam dos governantes, infelizmente, não vem a contento. 
Fica a pergunta: – Quais as perspectivas do povo brasileiro para as próximas décadas? 

Coreaú-CE, 09 de outubro de 2013.

Fernando Machado Albuquerque

quinta-feira, 20 de junho de 2013

OS VÁRIOS PROTESTOS BRASIL AFORA

O povo brasileiro se cansou de ser sujeito passivo, ou, como diria o Tiririca, de ser um "abestado" e está indo às ruas protestar. 

E por qual motivo? 

A resposta é simples: o único titular da coisa pública ("res publica") é o povo. E o povo não suporta mais um modelo de Estado que não atinge as finalidades preceituadas na Constituição Federal de 1988 e nas Leis. 

Todos os princípios da Administração Pública expressamente elencados no texto constitucional e, inclusive, os implícitos vêm sendo ferozmente desrespeitados ao longo dessas últimas décadas, por boa parcela de membros do três poderes da República e seus respectivos órgãos, ou seja, pela classe política (seja do Executivo seja do Legislativo, de todas as esferas) e até por membros do Poder Judiciário. 

Impende ainda afirmar que grande parte dos detentores do capital (empresários e grandes empreiteiros) mantêm um conluio com agentes políticos e/ou administrativos, com a única finalidade de desviar recursos do erário (municipal, estadual e federal). 

Gente que "não tinha onde cair morto", da noite para o dia, ficou rico. Pessoas que nem uma simples motocicleta possuíam estão guiando carros importados, ou, quando não, nacionais de luxo, morando em casarões e mansões, com a conta bancária gorda (só para dar um exemplo), e ainda saem mangando do povo. 

Como consequência, dificilmente o brasileiro encontra um serviço público adequado (educação pública, saúde pública, transporte público, segurança pública, etc). 

Concluindo, o povo, que é o dono da casa, que é o verdadeiro dono do Brasil, está sendo governando por empregados (políticos), muitos deles, bandidos travestidos de pessoas decentes. 

Se você não sabia, fique sabendo que a presidente da República, o governador do seu Estado, o prefeito de sua cidade, bem como todos aqueles que estão investidos de um cargo ou função, seja de caráter político ou administrativo, é EMPREGADO DO POVO. Se você é uma pessoa do povo, você é patrão desses caras. E o que é que um patrão faz quando constata que um serviçal dele o está enganando? Rua!!! (ou ruas). 

Coreaú-CE, 19 de junho de 2013. 



FERNANDO MACHADO ALBUQUERQUE
Professor e Membro da APL

sexta-feira, 10 de maio de 2013

ÊXODO RURAL EM COREAÚ


É impressionante o número de pessoas que têm saído de Coreaú nos últimos anos em busca de trabalho noutros Estados da Federação, principalmente em Mato Grosso e Paraná. 
Exercendo o cargo de Técnico Judiciário, no Fórum de Coreaú, tenho constatado que são pessoas entre 18 e 30 anos de idade, geralmente chefes de família (homens) sem nenhuma expectativa de renda mensal. Essa constatação se dá com a expedição, pela Secretaria de Vara Única, de Certidão de Antecedentes Criminais (ou folha corrida, como dizem), do trabalhador interessado, cuja qualificação é ali registrada. 
Tanto em anos anteriores, bem como já nesse ano de 2013, dezenas de homens requereram (e continuam requerendo), no Fórum local, a sobredita certidão, e, indagados sobre o pedido, tais pessoas informaram que se tratava de uma exigência da empresa na qual pretendiam ser admitidos. 
Na verdade, em seu grande lastro, são agricultores ou trabalhadores rurais, contratados por um agenciador, que os recebe e faz-lhes o cadastro para, em seguida, acordarem uma data para a viagem, que é feita quase sempre de ônibus. Mesmo sendo a maioria homens do campo, fazem questão de serem qualificados como marceneiros ou serventes de pedreiro, haja vista que irão trabalhar na construção de grandes silos de soja, ou na construção civil. 
De toda sorte, trata-se de uma saída de caráter temporário, pois quase todos retornam em poucos meses, todavia essa migração, pelo que se infere, merece uma atenção do poder público municipal, para fins de adoção de medidas assecuratórias que visem à permanência do homem no campo, como a implementação de políticas agrícolas locais. 
Enfim, o trabalhador rural se evade em busca de um trabalho para sustentar a sua prole, depois retorna, mas não encontra aqui, em definitivo, uma situação que lhe garanta uma atividade laborativa satisfatória, de modo a fixá-lo de vez em seu torrão natal. 

Coreaú-CE, 10 de maio de 2013.

Fernando Machado Albuquerque
Membro da APL

terça-feira, 9 de abril de 2013

A vida é bela

Apesar de vivermos num país onde imperam as desigualdades sociais e a violência urbana, temos que acreditar nos nossos sonhos, porquanto a vida é bela. 
O ser humano sem um projeto de vida, sem um objetivo é um passante comum. Por seu turno, quem consegue enxergar além do seu tempo, organizando-se, planejando ações e contribuindo para o crescimento da sociedade, participando ativamente dela, indubitavelmente terá o nome insculpido de forma indelével na memória de seu povo. 
Há pessoas que amargam alguma desilusão, carregam consigo algum trauma ou se submeteram a alguma situação de desprazer, de desgosto e, por isso, deixam de acreditar na vida, na beleza da existência, vivendo por viver, sem ânimo, sem alegria. 
A vida é para ser vivida em sua plenitude, apesar das adversidades, pois problemas todos temos, e quem já não os tem, logicamente, já passou para o outro plano. E todo problema tem solução. 
Somos, sob a égide da Providência Divina, dotados de razão. Portanto, com racionalidade, temos plena capacidade para atravessar as mais altas barreiras que erroneamente julgamos intransponíveis. 
Coreaú-CE, 09 de abril de 2013. 

FERNANDO MACHADO ALBUQUERQUE
Professor
Membro da Academia Palmense de Letras (APL)

Crise de valores morais

A humanidade tem conseguido uma evolução mental extraordinária a partir do Renascimento, quebrando tabus e desmistificando históricas fantásticas, ingressando no campo científico e, assim, tem explicado, racionalmente, fatos outrora tidos como inexplicáveis. Isso ocorre porque o homem é dotado de razão e tem um poder de linguagem ímpar, diferenciando-se, por conseguinte, dos demais seres que habitam o Planeta. Conquistamos muitas coisas e muitas outras temos para conquistar. Entretanto, o ser humano ainda precisa aprender a conviver em harmonia com seus pares, de modo que a tão almejada paz social seja alcançada a contento, o que é possível somente se desenvolver ele virtudes individuais e coletivas. 
Encontramos no dia a dia indivíduos que só pensam em si, só pensam em dinheiro, só pensam em acumular bens materiais, esquecendo-se de valores como a amizade, a solidariedade, o altruísmo, o companheirismo e, para os mais românticos, o amor. Esquecem-se do seu lado espiritual, da presença de uma força transcendental que conduz o existencialismo (Deus). 
Os crimes, em quaisquer partes do mundo, não importa a sua natureza, na maioria dos casos, hodiernamente, têm sua prática vinculada à questão do ter (materialismo) em detrimento do ser, da essência humana e das boas relações interpessoais. 
Haveria lucidez econômica e social se os grandes empresários e os agentes governamentais olhassem para os outros quadrantes da vida: as necessidades dos pobres de dinheiro, para as desigualdades de toda ordem, e se sensibilizassem, promovendo grandes transformações no modelo social que aí está, melhorando-o. Pior do que a propalada crise econômica mundial é a crise de valores morais pela qual atravessamos. Pense nisso. 
Coreaú-CE, 09 de abril de 2013. 

FERNANDO MACHADO ALBUQUERQUE 
Professor e Membro da APL

Maior palavra da língua portuguesa




Antonio Houaiss (1915-1999), carioca, foi professor, dicionarista, filólogo, tradutor, diplomata, ex-ministro da Cultura, ensaísta e também presidente da Academia Brasileira de Letras. Ele deixou concluído um dicionário com 300 mil verbetes e propôs a reforma para unificar a ortografia dos países que falam a língua portuguesa (os chamados países lusófonos). 
Há uma curiosidade no novo dicionário de Houaiss (pronuncia-se uáis) à qual muitos brasileiros ainda não atentaram: o registro da maior palavra da língua portuguesa, formada por 46 letras. Trata-se de "pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico", cujo significado é "estado de quem é acometido de uma doença rara provocada pela aspiração de cinzas vulcânicas". 
Portanto, para quem tinha dúvida a respeito da grafia da maior palavra em Português registrada em dicionário, está aí à disposição dos leitores mais esse verbete. Quem se arriscar a memorizá-lo, sugerimos dividi-lo a partir dos radicais e prefixos que o formam, como "pneumo" e "ultra", e assim por diante, até decorá-lo na íntegra. 

Coreaú-CE, 09 de abril de 2013.

Fernando Machado Albuquerque
Professor
Membro da Academia Palmense de Letras (APL)

terça-feira, 2 de abril de 2013

A caligrafia dos médicos

A Medicina é uma das mais antigas e belas ciências da humanidade, cuja aplicação se dá com as profissões médicas. E o profissional da Medicina exerce, sem dúvida, um nobre mister, quase divinizado, porquanto lida com vidas.

No entanto, queria discorrer sobre uma prática que, aos olhos do bom senso, não deveria ser concebida por médico nenhum. Trata-se do hábito deplorável que ainda persiste, em certos consultórios médicos, de se passarem receitas aos pacientes de forma manuscrita e totalmente ilegível, constituindo, assim, responsabilidade profissional, consoante o Código de Ética Médica, que entrou em vigor aqui no Brasil em 13 de abril de 2010, depois de ser revisto, atualizado e ampliado a partir da Resolução do Conselho Federal de Medicina nº 1.931, de 17 de setembro de 2009.

Veja-se o que preconiza, “in verbis”, o art. 11, do Capítulo III, que fala da responsabilidade profissional dos médicos: “É vedado aos médicos: [...] art. 11. Receitar, atestar ou emitir laudos de forma secreta ou ilegível (grifo nosso), sem a devida identificação de seu número de registro no Conselho regional de Medicina da sua jurisdição, bem como assinar em branco folhas de receituários, atestados, laudos ou quaisquer outros documentos médicos.[...].”

Constata-se, então, que seria de bom alvitre, não só por uma questão de ética, mas de respeito ao paciente, que aqueles doutores da Medicina que ainda teimam em receitar com “garranchos”, mudassem de postura e escrevessem de forma clara e legível suas prescrições, ou quando não, fizessem-no munidos de um computador e impressora. 

Coreaú-CE, 02 de abril de 2013.

Fernando Machado Albuquerque
Professor 
Membro da Academia Palmense de Letras (APL)

domingo, 10 de março de 2013

Galba Gomes e Raimundo Gomes


José Galba de Menezes Gomes é cirurgião-dentista, professor, escritor, nascido em Coreaú, em 12 de dezembro de 1943.

Há tempos radicado em Fortaleza-CE, Dr. Galba Gomes nos honra muito, também, como membro da Academia Palmense de Letras (APL), ocupando a cadeia de n.º 06, cujo patrono é outro coreauense e dentista, no caso, o Dr. Raimundo Gomes.

Por seu turno, Dr. Raimundo Gomes (tio-avô do Dr. Galba Gomes), nascido na Palma, em 06 de agosto de 1879, e falecido em Fortaleza, no dia 3 de setembro de 1961, cuida-se da figura que foi homenageada (in memoriam) pelo Município de Coreaú, visto que o Posto de Saúde inaugurado no dia de ontem, 08 de março de 2013, leva seu nome no frontispício.

Voltando ao Dr. Galba Gomes, é de autoria dele o livro "1968 E OUTROS MOMENTOS NA ODONTOLOGIA, NA POLÍTICA E NA CIDADANIA PLENA", publicado em 1999, pela Universidade de Fortaleza – UNIFOR.

Portanto, duas figuras da mesma família, com atributos muito semelhantes.

Fernando Machado Albuquerque
Professor/Membro da APL

P.S.: O autor teve como fonte o livro História de Coreaú (1702-2002), de Leonardo Pildas.