segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O LOBO

Sempre, às vezes...
Vejo um lobo desgarrado.
Sozinho em sua trilha;
Não vai seguir a matilha,
Pois querem uma vítima fraca,
E só quem merece ele ataca.
Por que então segui-la?
Ele sabe que é.
E o que são ele não é.
Seguindo seu caminho,
Ele é um bom lobo mau.

Francisco Eleumar Vaz Cordeiro

BANDEIRA DE COREAÚ EM FOTOMONTAGEM


A ÁGORA E O AGORA!

Não me interessa uma cidade deles. Onde eles cruzam a bola e correm pro cabeceio. Interessa-me uma cidade viva, que se discuta, se planeje, se curta! Uma cidade onde os homens sejam sujeitos de sua história. Uma cidade onde a dor seja sofrida em grupo e a cura seja buscada, coletivamente! 

Para que quero uma cidade onde os doutores gritam e eu apenas ouço, escolhendo ficar calado ou sair correndo?! O que querem de mim, nessa cidade? Que eu seja como as rochas e dormentes de trem, que se deixam ficar anos a fio, vendo o tempo passar? 

Interessa a elas apenas meus impostos, minhas taxas, meu pouco sangue? Ora, não foi essa vida que eu escolhi pra mim, enquanto cidadão! Quero viver a vida, chorar, gemer, sorrir, ser feliz! Quero a dor, quero o amor, o desamor, a festa, o rega-bofes e não apenas a fatura fria! Quero minha cidade pulando que nem cabrito nos montes da vida. Quero minha gente na vanguarda da felicidade, montando o alazão da contemplação da vida! 

Chega de mesmices e de senhores sisudos gritando palavras que me ferem as oiças! Pra lá, doutor! Leve daqui seu balaio de sandices! Quero outro mundo!

João Teles de Aguiar

PERPASSA O VERSO A CRIAÇÃO


falta inspiração
profundamente
em olhar a beleza
evidente
que se esbanja
a frente do poeta
que 
para
pensa
repara
repensa
regurgita
e acredita
que aquilo que ele escreveu
realmente
é poesia
inspirada em sua inteligência
falta a crença humilde
ora, que nada, que escreve
retrata
antes, cria
o que se quer
ou não se espera
do mundo
que rodeia
o fundo
de toda poesia.

Benedito Gomes Rodrigues

O NASCER DO DIA


Os pássaros vivem a cantar,
A dona começa a pelejar,
As galinhas a cacarejar,
Assim começam a labutar.

O galo canta o primeiro canto,
O cachorro vem com o latido,
O dono aparece abatido,
Saindo do quarto de um recanto.

Uma vaca aparece mugindo,
O garoto começa a chorar
E sua mãe vem para consolar.

O sol nascendo no horizonte,
As portas começam a se abrirem,
Brotando um novo dia no sertão.

Jesus Frota Ximenes

domingo, 1 de setembro de 2013

OU MUDA OU SE ESVAI

Foto do Blogue Coreausiará.
Eu clamo um hino novo de verdade,
Colorido pelo novo reluzir.
Eu canto um dia novo pra cidade,
Construído pelo fator de agir.

E cada luz que se passa vai,
De alumbramento, à minha tristeza.
Ó, terra nossa, que é nossa riqueza!
Eu ei de ter-te; muda ou se esvai.

Que nada tema, nem nos apavore,
Por mais longínqua que esteja a conquista,
Que o oportunismo não nos devore,

Nem que o amor largue a nossa vista.
Faço estes versos a minha oração;
Não caia, ó luta, que embala a canção!

Benedito Gomes Rodrigues

VAQUEIRO

Pintura de Ernst Zeuner
Hoje é sexta
A ração foi dada
Para boiada
Depois da sesta.

Estão no curral
Para descansar
E a noite passar
Deitados no bamburral

O vaqueiro levanta
Cinco horas da manhã
E seu filho lá está.

Entregaram a mãe
Para a distribuição
No café da manhã.

Jesus Frota Ximenes