quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O RÁDIO E O TEMPO

Velho rádio empoeirado
Que tantas valsas tocou
Hoje jaz lá na lixeira
Seu ex-dono o jogou

Não toca mais nada

O rádio, que falava
É mais um dentre os detritos

Morreu a valsa
Morreu seu glamour
Morreram os dias idos
Com quem os viveu
E com a ferrugem
Que os corroeu

Por que o rádio é diferente de nós?
Se nossa valsa volta e meia finda
Se nossa falsa esperança em nós mesmos
Ruir em suas bases

Por que o rádio é diferente de nós?
Que largamos a eternidade
E nos agarramos medrosamente ao tempo
E o tempo é indiferente
Contundente em seu moer de dentes
E nós tão pequenos.

Benedito Gomes Rodrigues

PRINCÍPIOS

Distraído, eu folheava meu livro, quando duas crianças passaram em frente à minha casa. De repente, a garotinha disse ao seu amigo “eu aceito seu pedido de desculpas”. Ambos deviam ter no máximo sete anos de idade. 

Cessei minha leitura e passei a meditar: como o mundo seria um lugar bem melhor, se as pessoas seguissem o exemplo daqueles dois, tanto do garoto que humildemente pediu desculpas, quanto da menina que fraternalmente a aceitou. Mas, enfim, que falta aquele garotinho cometeu para com a menina? Não sei, não importa, seu gesto de reconhecer o erro e, sobretudo, de solicitar perdão à menina sobressai-se ao motivo que gerou o pedido. E pensar que os dois são tão jovens! Contudo, talvez, eles cresçam, e o mundo ensine-os que não devem pedir desculpas quando errar, ou aceitá-los quando os outros os magoar. É como já diria Darwin “os que melhores adaptam-se, sobrevivem”. No entanto, queremos mesmo adaptar-nos a fazer desses costumes princípios em nossas vidas?  

Talvez um simples pedido de desculpas pareça indigno de atenção, todavia, pense bem, pois são ações assim, aparentemente supérfluas, que podem dar-nos uma leveza colossal em meio a um cotidiano estressante e cheio de inimizades.

Kelvis Albuquerque

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

À SEMPRE PALMA

no vento que eriça as carnaúbas,
na mulher que de palha faz chapéu,
no feijão estendido nas calçadas,
nos engenhos de cana e mel,
nos galos que cantam madrugadas,
nos serrotes coloridos de ipês,
nos açudes com os pulos dos meninos,
nos riachos lavadeiras cantam hinos,
na alegria simples de viver.
nestes todos que te formam,
terra nossa, Palma sempre
eis que aqui meu peito bate
como em que de mãe um ventre!
quero em ti vir repousar.


Benedito Gomes Rodrigues

NINGUÉM

O calor piorou depois do banho
 - Ninguém ao meu lado está!
O café não tirou o sono
Ninguém ficou de voltar.

Onde estará o quê de mim
agora que não sei mais quem sou?
Existe uma dor própria de morrer
ou é mera impressão
esse não sei o quê de amor?

Quais ventos me conduzirão?
Em que areias finas irei aportar?
De que me adianta pisar o chão
se não tenho ninguém a me esperar?

O que fazer com tanto
não sei o quê de angústia
com tantos incontáveis desamores
com abundantes amores em vão
que passam sem a intenção de retornar?

Onde está o que nunca tive?
 - será que existe?
O que faz de mim humano
se dos amores idos
só tenho boas lembranças
nunca saudades reais?

O que faz de mim humano
se penso que não sei amar?
Onde está o que a todo mundo é legado
e a mim, só Ninguém consegue decifrar?


20.set.2011

Neto Muniz
Cruz - CE

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

ESTE CORPO NU

Este corpo nu
Eu o sou
Com suas vicissitudes
E mágoas
Mas também
Desnudo
Eu o sou
Com sua coragem
E seus sonhos

Este corpo nu
Pura carne
Puro pó
Frágil
E finito
Guarda
Minha história
Não sou mais
Que o frio de cá
Não sou mais
Que o que faço
Da história
De minha carne.

Benedito Gomes Rodrigues

TEU SORRISO

Senti no teu olhar um sorriso sincero e encantador,
Fascinando o meu coração sem perguntar.
Percebi neste teu sorriso amor.
Encontrei nele o sentindo de amar.

Sentindo o coração disparado, as mãos tremendo,
Sem saber que fazer para me controlar.
Meus pensamentos voam no teu sorriso envolvente,
Não querendo perder um só momento do presente.

Sonhei tanto tempo com este mágico momento,
Você, ali, olhando-me, namorando-me, que alegria imensa!
Agora sabia que muitas seriam as horas em que poderia ficar a admirar teus sorrisos,
Sem me cansar de te olhar e sempre me apaixonar mais uma vez.
Seria eu e você neste mundo de românticos,
Onde a magia do amor rima com teu sorriso.

Juliana Maria
Coreaú/CE

domingo, 1 de dezembro de 2013

ONDAS


Ó vagas do mago vidente; 
Fúria inclemente do mar; 
Sinal de abismo iminente; 
Tropel de imenso cismar! 
De penas, a terra coberta, 
Num sopro irá se afogar; 
Ressoa o clarim de alerta: 
No cosmo, voraz renegar! 
O tempo é estrela cadente; 
Em terra anúncio de morte; 
Nos sinos, há lúgubre soar. 
Ao homem, no fim aparente, 
Lhe resta o bafejo da sorte: 
Da corrida aprender a voar.

Eliton Meneses