segunda-feira, 2 de março de 2015

DESALINHADA

Você é o paraíso, que vejo amanhecer
Tão boba só sorrisos, conhecer o bel prazer
É o dia que raia, com todo o seu esplendor
Vontade própria muito sadia, inspiração
Ao meio dia, correnteza desalinhada
Sem rumo certo e sem parada
Limite algum impede a ida
Desbrava sonhos
Que lhe guiam!
Emudece
Esquece
Padece!
Viva
Vida
Vital!
Feliz!
Vive pra sonhar
Espreita, mira, respira
E pode tudo recomeçar!
Alento, força, tecem caminhos,
Que marcarão aonde chegar! Propósito,
Cabeça feita, deita, recosta, gosta, e sabe
O quê quer conquistar. Ama, fama, saber, e um
Dia pode ser, que o disfarce deixe, a camuflagem
Que tudo esconde e imponha a hora de aparecer.
Deixar de viver pra vida e a vida poder viver.
Com esmero, afeto e muito prazer!

                                                                         
Airla Gomes
Membro da APL

A IRRACIONALIDADE E A INSENSATEZ HUMANA

Era meado do ano de 1986, em que uma brasileira, nordestina, recém-casada, buscou os ares nortistas para acompanhar o seu marido e lutar por dias melhores para si e sua futura prole. Em 1988, já na condição de mãe, tornou-se servidora pública dedicada e responsável. E a partir de 1996, com o incentivo, apoio e ajuda oficial do Órgão resolveu turbinar o seu lado intelectual e profissional, fazendo cursos (profissionalizante, graduação e de pós-graduação) na área técnico-educacional, culminando com o êxito no concurso público do magistério no ano de 2002, passando então a trabalhar acumulando dois cargos públicos com empregadores distintos. Mas nada foi fácil, pelo contrário, muito difícil mesmo, uma verdadeira epopeia, que parece não ter fim e nem descanso. É inacreditável. Eis uma pequena síntese dessa dramática história de vida humana, luta e de trabalho, que só a irracionalidade e a insensatez humana promovida por alguns tentam fazer para prejudicar alguém, frustrando e vitimando ao longo de mais de doze anos uma cidadã brasileira, nordestina, educadora, mãe, profissional trabalhadora e sua família, além de tentarem ignorar e afastar a Constituição da República Federativa do Brasil/1988 e algumas Leis, além de negar vigência a alguns princípios-normas e/ou normas-princípios balizares do Estado Democrático de Direito Social, que abriga entre outros princípios os da: segurança jurídica, confiança, irretroatividade, proteção à família, boa-fé, dignidade da pessoa humana, cidadania, vedação da prática de atos contraditórios, estabilidade das relações jurídico-sociais etc.. Mas, segundo ela e seu defensor, com fé e com a ajuda e benção de DEUS, e de pessoas sábias, sensatas e equilibradas, eles não conseguiram.

Primeiramente, que apesar de aprovada e nomeada professora por Decreto/Portaria publicado no Diário Oficial, à Administração Pública surpreendentemente negou a sua posse sob a alegação de acúmulo ilegal de cargos públicos (CRFB/1988, art. 37, XVI). Diante da negativa, tomou as medidas legais cabíveis, e por força de Liminar em Mandado de Segurança, lhe foi assegurado o direito de tomar posse no seu cargo/função de professora, entrando em efetivo exercício ainda em 2002, vez que já vinha exercendo esse mister de forma precária e cumprindo a mesma carga horária de trabalho (contratação direta/seletivada). O processo tramitou e chegou até o tribunal da cidadania - STJ, logrando êxito a impetrante/professora/servidora, posto que negou provimento ao REsp estatal, tendo transitado em julgado em agosto/2006. Nesse interim, mas ainda resgatando lá no ano de 2002, a Administração (2º emprego) faz consulta formal ao outro órgão público (1º emprego) em que a servidora/professora trabalhava/acumulava, e este respondeu satisfatoriamente todas as indagações, principalmente afirmando categoricamente que o acúmulo dos dois cargos públicos era legal (cargo técnico de nível médio cumulando o de professora), inclusive reforçado por um Parecer do Procurador Federal do próprio Órgão e também do MPF, no mesmo sentido – cargos públicos acumuláveis, vez que atendida e satisfeita a compatibilidade de horários no exercício desses cargos/funções públicas.

Inesperadamente, num exame de rotina realizado em fins de 2007, veio a triste constatação: estava acometida de doença grave (especificada em lei). Outros dois exames confirmaram a neoplasia. Agora, a batalha não era só pela sua dignidade de cidadã, mulher, mãe, servidora, educadora e profissional, mas também pelo seu bem-estar e de sua própria vida. Após o prazo legal dos afastamentos para tratamento de saúde da neoplasia maligna, aposentou-se regular e legalmente dos dois cargos públicos no ano de 2010 (o 1º, por tempo de serviço e o 2º por invalidez permanente).

Pois bem, é inacreditável e ninguém espera ou aguarda isso. Apesar do trânsito em julgado do MS em 2006, à Administração Pública (2º emprego - professora) publicou anos depois (já na condição de aposentada por invalidez permanente por ato publicado no Diário Oficial pelo órgão previdenciário), e ainda no dia do mestre (15 de outubro), uma Portaria no Diário Oficial, determinando a abertura de um PAD – Processo Administrativo Disciplinar, com prazo de dez dias para optar por um dos empregos (aposentadorias), é mole (essa “turma sem noção” ou seria “turma do sem jeito” que não quer deixar a aposentada em paz?!), sob a alegação de acúmulo ilegal de cargos públicos pela professora aposentada (coisa julgada que afastou as supostas ilegalidades). E tudo isso, após a servidora responder a uma sindicância sobre o mesmo tema/assunto, quando já trabalhava normal e concomitantemente nos dois órgãos públicos, mas ainda tramitava o MS nas diversas instâncias do Poder Judiciário. A resposta a esse absurdo, ilegalidade, velada perseguição do Poder Público por patrocinar mais uma vez essa aberração, monstrengo, teratologia e anomalia administrativa (PAD), inclusive com parecer jurídico equivocado, desfundamentado e desatualizado de uma procuradora (sem noção), foi dura, firme, implacável, fundamentada, convincente e tudo nos devidos termos e conformes legais e jurídicos que o caso e a situação do momento impuseram para repelir a injusto, absurdo e inesperado destempero administrativo patrocinado pelo Poder Público, que, enfim, surtiu efeito, botaram a viola no saco e pararam de incomodar, e/ou se mudaram para aporrinhar outra freguesia (servidores). Também, não era pra menos. Onde já se viu, a lide resolvida judicialmente com o trânsito em julgado declarado, publicado e certificado pelo STJ em agosto/2006 e o processo baixado para a Vara Cível de origem, e já ocorrido a publicação no Diário Oficial da portaria de aposentadoria pelo órgão previdenciário, e o Agente Político sem noção faz publicar ato administrativo/Portaria de abertura de PAD no dia do mestre, já com a servidora – professora na condição de aposentada por invalidez permanente alguns meses antes dessa inacreditável teratologia jurídico-administrativa! Ninguém merece isso. Será que só acontecem esses absurdos no Brasil?!


Como se vê, não tem qualquer cabimento o Poder Público não querer respeitar/observar a coisa julgada e o devido processo legal da aposentadoria por invalidez. Se ele não quer obedecer a uma decisão transitada em julgado proferida por um Tribunal Superior, como é que ele quer que suas ordens/decisões administrativas sejam cumpridas pelos administrados?. Sem olvidar os princípios do Estado Social Democrático de Direito, segurança jurídica, dignidade da pessoa humana, proteção à família, boa-fé, confiança, irretroatividade, da vedação da prática de atos contraditórios, da estabilidade das relações jurídico-sociais, o direito adquirido, a coisa julgada etc.. Quem fez isso? Uma “autoridade administrativa” chamada “agente político” com formação jurídica plena (deve fazer parte da “turma sem noção”). Pode... É inaceitável. É inacreditável. É ilógico e irracional. É o cúmulo do absurdo. Esqueceram todos eles que a função primordial do Direito e, consequentemente da Justiça, é a pacificação social através da resolução dos conflitos, e não a perpetuação ou a não solução dos mesmos.

Mas se acharam muito o absurdo já narrado acima, o inesperado e o inimaginável ainda estava para acontecer. Lembram-se ainda daquele pessoal que não tem coisa melhor para fazer (“turma dos sem noção”) e derrotada (judicial e administrativamente), que fez consulta oficial sobre acumulação de cargos públicos ao outro órgão/emprego (1º) em 2002 sobre a servidora/professora, pois bem. Vocês não vão acreditar. É que...


E. T.: O andamento e o desfecho final dessa dramática e real história humana, que ainda não acabou, será contada/relatada nos próximos capítulos. Por enquanto é isso. Mas já é um bom aperitivo. O suspense, acreditem, continua até mesmo para a aposentada, seu defensor e para esse neófito projeto de cronista, narrador, memorialista, escritor ... Muito obrigado. Até a próxima, tchau.

COSMO CARVALHO
Membro da APL

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

FAMÍLIA

É, família é tudo
Tudo que precisamos ter
É a essência do ser
Do ser feliz
Do ser fraterno
Família, amor eterno.
Pobre quem não a tem
Coitado, pobre ser
Não tem com quem contar
Ao se entristecer
Não tem com quem sorrir
Quando a alegria surgir.

Família unida é tudo
Alegria para a alma
Onde o diálogo traz calma.

Claudene Teles
Araquém, Coreaú-CE

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

CAMPO DA BARRAGEM


Quando o dia amanhecia em Coreaú, no início dos anos 1980, especialmente nos finais de semana, a primeira providência era me juntar ao irmão Gerôncio, aos amigos de infância do bairro, mais precisamente aos da Rua Joaquim Machado (onde morei), Rua do Peão, Rua de Baixo (Rabo da Gata) e Rua dos Boeiros (apelido de uma família), a fim de jogarmos de bola (futebol) no campinho da barragem que dá acesso hoje à ponte do Rio Coreaú rumo ao distrito de Araquém. O campo ficava às margens do rio, por detrás, atualmente, da oficina mecânica do Dill e da oficina de bicicletas do Gentil (outro irmão meu). 
Meu pai não aceitava muito a ideia de que jogássemos bola, pois tinha receio de que quebrássemos a perna ou o braço. Mesmo assim, teimosos, e às escondidas, deliciávamo-nos no campinho. Ao final de cada partida, o time perdedor corria para dentro do rio e ficava tomando banho, de modo a diminuir o cansaço e acabar com a suadeira no corpo. Como a água não era tão impura, às vezes até dela bebíamos, diminuindo nossa sede. No meio da manhã, perto das 9 horas, exaustos e com fome, tomávamos refresco de Q-suco com pão ou “solda de massa do trigo”, que eram feitos na padaria do seu Quico (avô materno do advogado Marden Fontenele). 
O goleiro dos times que íamos formando ficava entre duas traves (geralmente duas estacas de madeira que retirávamos de algum cercado próximo ao rio). Aquele era escolhido dentre os que não se destacavam na “linha”. Havia os preferidos para atacante (ou centroavantes) por dominarem bem a bola e por serem exímios dribladores e goleadores com jogadas espetaculares. Nesse rol, destaque para o Juquinha (filho do senhor Edmílson Boeiro) e para o Benedito Tiziu (filho da dona Mazé Nicasso, ou Mazé Alprimo). 
Eram vários os nossos contemporâneos, todavia recordo-me perfeitamente dos amigos como o Lilico e o Baía (filhos do Chico Martins), o primo Idelmond e o irmão dele Baía (hoje Zematur), o Beneditinho do João Quintiliano, o Raminho do Raimundo Juvenal, o Babá e o Helinho (irmãos do Juquinha), o Bartolomeu, o Totinho e o Valdir (irmãos do Nonato do Feijão), o Raniere (hoje Grendene), o Bernardone (apelidado Canona, que é irmão do Tiziu), o Joélio do Zé Belchior e até o Dr. Francimor. 
De todos os citados acima, o Juquinha era o único com vaga garantida, por ser considerado um craque. Infelizmente não se encontra mais entre nós. 
O campinho da barragem não mais existe. Dele, restam estas doces lembranças.

Fernando Machado Albuquerque

domingo, 25 de janeiro de 2015

OS LADRÕES E AS LADRONAS DE SOBRAL

As festas de setembro e as noites de natal, em Coreaú, eram muito animadas na época da minha infância. Muita gente circulando pelas ruas, fazendo compras e se divertindo. As mercadorias vendidas nas ruas quase todas vinham de Sobral: bijuterias, brinquedos, confecções e até picolés. Vinham também as bancas de jogos chamados “caipira”, “pretinha”. Aqueles joguinhos de laçar objetos, as espingardinhas de chumbo, etc. Nossos pais nos davam dinheiro para desfrutarmos de todas essas coisas boas da festa, mas nos advertiam para termos cuidado com os famosos ladrões e ladronas de Sobral da época. Eles furtavam sorrateiramente nas lojas (confecções e peças de panos), na igreja (metiam a mão no bolso dos fiéis), e nas casas de famílias, onde as ladronas pediam para urinar e saíam com os vestidos cheios de objetos roubados. Muitos começavam a furtar já dentro do ônibus de Sobral pra cá e os passageiros chagavam na agência do Dier se maldizendo. Dizem que uma vez esses ladrões e ladronas soltaram uma cobra dentro da igreja do Parazinho (distrito de Granja), para causar tumultuo e eles poderem agir no bolso e na bolsa dos fiéis.

Luis Carlos Teles
Advogado

O BRILHO DO LUAR


Hoje sei das consequências 
Da vida vinda, vivida... 
O que ela dá, um dia tira 
Tira tirando, oco deixando 
Ausente, ausenta, sedenta; 
Perpetua, eterniza vidas, ao vento 
Sopradas, para o além do infinito 
E amor crava a dor, que o infinito marcou. 
Sempre amei o meu passado 
Amarei, também, o meu futuro 
Coisas boas ficam guardadas 
Mesmo quando engasgadas 
Pela dor, que nunca foi 
Sempre que ficou. 
Dor doída do que perdeu 
Permanecendo, só o alento 
Na calmaria, adormeceu. 
Vivo vive o pensamento 
Em tudo de bom que se viveu 
A minha casa, a minha rua 
No coração permaneceu 
As brincadeiras, as gargalhadas 
O que vestia o que calçava 
O que fazia e o que podia 
Era o limite que permitia 
Na minha casa hoje o vazio 
De tantas coisas que eu contei 
Sem os meus pais, hoje sorrisos 
De tudo deles, como encanto 
Que nunca passa se eterniza 
Guardo guardado dentro do peito 
A sinfonia que me alenta 
Figuras vivas que me enaltecem 
Mesmo que seja o meu pesar 
Pois quando olho da minha janela 
Lhes vejo no brilho do luar. 

Airla Barboza