quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

UMA HOMENAGEM AO MENINO FRANCISCO LUCAS CAVALCANTE SILVA

O pequeno estudante tinha um sonho, como qualquer criança de sua tenra idade. 
Brincar com os colegas e amigos, estudar, fazer os deveres de casa, ir à Escola etc..
Para no futuro ser útil à sociedade, trabalhar e constituir sua própria família,
Para a alegria e orgulho de seus pais e atendimento ao enunciado bíblico.
Mas a insensatez humana lhe roubou o futuro. O presente não mais existe.
Só restaram a saudade, a dor e as lembranças do passado tão curto, pois não lhe deram chance de ter o amanhã. Talvez o destino tenha a sua parcela de contribuição, por não se saber os desígnios de DEUS. 
O fato é que naquele lindo dia de 19/11 (Dia da Bandeira) do ano de 2015, ao começo da bela manhã ensolarada na zona rural de Coreaú, sua mãe o embarcou no tal “ônibus escolar” para levá-lo à Escola, como fazia todos os dias. O transporte estava sempre lotado de crianças, mas sequer LUCAS chegou à Escola, pois o caminho da Escola foi tragicamente interrompido quando foi lançado para fora do veículo pelo para-brisa, e jogando-o ao chão, tendo morte imediata, instantânea, e tudo fruto do descaso e negligência do Poder Público. LUCAS é mais um anjinho no Céu.
As Leis da Física (Lei da Quantidade de Movimento e a da Inércia) e o DN não negam.
Se o tal “ônibus escolar“ tivesse os cintos de segurança nos bancos, certamente ele estaria vivo na casa dos seus pais. 
Mas não, é todo irregular: pneus carecas, ferrugem, extintor de incêndio ninguém sabe, sem identificação horizontal indicando transporte escolar, monitor responsável dentro do ônibus ninguém sabe, sem sinto de segurança nos bancos do velho e surrado veículo de mais de vinte anos de uso, além do motorista que não seria habilitado para dirigir o Amarelão. 
O pai de LUCAS (Sr. José Francisco da Rocha) já havia reclamado e denunciado à gravidade do caso do veículo a diretora da Escola, mas nada foi feito e nenhuma providência foi tomada para amenizar ou resolver os graves problemas do transporte escolar daquela zona rural. E ninguém fez nada. E a tragédia anunciada, infelizmente aconteceu.
E os tais órgãos fiscalizadores (Prefeitura Municipal de Coreaú/Secretaria Municipal de Educação, Ministério Público do Estado do Ceará, Defensoria Pública, Conselho Tutelar, TCM, TCE etc.) onde andavam/estavam e o que faziam, enquanto debaixo dos seus olhos e de suas narinas as Leis e as Normas pertinentes de transporte escolar eram permanente e diuturnamente afrontadas, violadas e desrespeitadas (CRFB/1988, CBT, ECA etc.), e nada era ou foi feito?! Pois se algo tivesse sido feito, não impediria de ocorrer o acidente (pois acidentes acontecem), mas a vida da criança não teria sido grotescamente sacrificada. E não foi por falta de aviso não. O pai de LUCAS já havia reclamado e denunciado os graves problemas do ônibus a diretora da Escola e o Jornal Diário do Nordeste fez e estampou uma extraordinária e completa reportagem especial com o título “(DES) CAMINHOS DA ESCOLA” nesse mesmo corrente ano de 2015 alertando e denunciando tudo e todas as irregularidades, e mesmo assim, ninguém fez nada e nada foi feito para amenizar e/ou resolver os graves problemas, salvo uma operação policial noticiada naquele mesmo dia. 
O desabado do pai de LUCAS registrada na matéria do DN ao saber do trágico sinistro é de sensibilizar e chocar qualquer pessoa, menos as insensíveis e, ao que parece, de quem teria o dever de evitar que isso acontecesse, pois não há como não se indignar com a situação e com o ocorrido.
Se o Poder Público trata as crianças de hoje dessa maneira, como quererão que sejam os homens do amanhã?!.Muito menos seremos uma “Pátria Educadora.”. Pêsames a família enlutada.

COSMO CARVALHO

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

É dez!!!

Isso mesmo. Em quinhentos anos de Brasil o Exame Nacional do Ensino Médio-ENEM fora a mais genial criação de que temos notícias. E os bons frutos desta semente colheremos num futuro não tão longínquo, não tenho dúvidas disso. Eles, os frutos, serão no porvir a comprovação e validação destas mal traçadas linhas. Podes crer. Não a atoa, uma elite privilegiada que sabiamente já conhece os benefícios do mesmo para a grande massa de brasileiros excluídos sempre foi e ainda é contra o mesmo.

O profissionalismo das pessoas envolvidas neste evento majestoso (leia-se, aplicadores de provas, fiscais, professores, secretários e diretores escolares, dentre outros que direta ou indiretamente fazem parte do dia a dia da lide docente) dar orgulho a quem exige qualidade num momento singular na vida de estudantes que almejam adentrar ao ensino superior. Isso é indiscutível. Isso é inquestionável.

Falo isso, falo não, escrevo estas mal traçadas linhas com conhecimento de causa e por ser personagem ativo e passivo dos dois momentos da educação brasileira: O antes e o depois do ENEM. Como alunos e como professor. Pela segunda vez, sem propósitos audaciosos me submeto à prova única. Desde a primeira vez em 2011, já teci comentários semelhantes.

Por que é dez? Por que um exame de seleção que além de avaliar milhões de alunos neste Brasil continental e ainda os permite concorrerem à vagas no ensino superior simultaneamente em várias universidades não pode ser ignorado muito menos visto como uma coisa de pouco valor. Isso é o que chamamos de racionalização de gastos e tempo. É o tal de matar dois, dois não vários coelhos com uma pedrada só…

Com quase meio século de vida, sentar em uma sala, juntamente com uma juventude ávida por conhecimento e cheia de sonhos me dar uma satisfação sem tamanho. É como se eu recebesse um sopro de vitalidade e jovialidade. Isso não tem preço… E em assim procedendo eu pude comparar o valioso momento porque passamos hoje com o nosso momento quando em mesma idade destes jovens num pretérito não tão distante urrávamos para disputar vaga em apenas uma universidade.

Isso mesmo. Há menos de duas décadas meus caros jovens concorrer a vários cursos através dos tradicionais vestibulares nas inúmeras universidades era um privilégio de poucos. Justamente destes poucos que hoje atiram pedras no ENEM.

Já leram aquele provérbio que diz: “Só se atira pedra em árvores carregadas de bons frutos.”? Pois é isso ai. A critica descabida é justamente porque o mesmo tem suas inquestionáveis qualidades, técnicas, sociais, científicas dentre tantas outras inumeráveis ante meu paupérrimo vocabulário. Não nos acanhemos então antes aos retrógrados e conservadores de plantão sempre dispostos a atravancar o progresso social de um povo que já está atrasado em quinhentos anos. Ah… E não se esqueçam. Frequentar as empresas que comercializam “educação” a preço de ouro não é mais um grande diferencial para se ter sucesso neste exame. Basta compararmos os conteúdos programáticos oferecidos tanto no ensino publico como no privado. A construção do mesmo, ou seja do ENEM, teve como cerne promover a universalização do acesso independentemente da origem de seus concorrentes.

E por assim eu pensar, mais uma vez eu digo e quem não concordar que busque saber mais e mude o pensamento: “-O ENEM é dez… Isso mesmo… DEZ!!!”

Manuel de Jesus da Silva
(Velho)

terça-feira, 1 de setembro de 2015

UM PÉ DE QUÊ?


Já era época de fins d’água, pelo ano de 1930, quando meu avô, ainda rapaz, o Major Tôrres, retornava montado em seu cavalo de uma quermesse em um distrito da cidade do Ipu, no sopé da Serra da Ibiapaba. Era noite, por volta de dez horas, e, como a lua fora cheia na mesma semana, ainda iluminava bem o caminho (era costume comum daquela época viajar em tempo de lua cheia). Quando chegou na passagem do Escondido, o caminho passava por baixo de um vasto mangueiral, sendo considerado assombrado por muitos. A luz de prata da lua não penetrava por entre a copa das mangueiras, fazendo do caminho uma escuridão assustadora e o vento ajudava com os seus caprichos a dar asas à imaginação. Ele já ia na metade do caminho quando de repente algo lhe tirou o chapéu da cabeça! Assustado, parou de imediato o cavalo e permaneceu paralisado do susto e esperando por mais alguma visagem. Nada aconteceu. Então ele recuou o animal um pouco e começou a procurar o chapéu. Achou-o e o colocou na cabeça e fez o cavalo andar. Novo susto, pois em um repente caiu o chapéu novamente. Ficou paralisado, atento a qualquer movimento que denunciasse o acontecido, mas nada percebeu e tateou no chão procurando o chapéu até encontrar e colocou na cabeça. Fez o animal andar e outra vez algo quis derrubar o chapéu, só que nessa ocorrência a raiva venceu o medo e num movimento rápido ele segurou o que tinha derrubado. Sentiu que era frio e começou a tatear para identificar do que se tratava e, para seu espanto, descobriu o pé de uma pessoa que estava pendurada enforcada e já em óbito. Esporou o cavalo com força e saiu em disparada sem olhar para trás. Meu avô nunca soube qualquer notícia do ocorrido e se foi real ou assombração!

Cláudio César
Engenheiro Agrônomo

segunda-feira, 25 de maio de 2015

TEUS OLHOS

Leio em teus olhos
Tudo o que eles querem dizer
A tristeza é tão visível
Que não pode esconder

Juras e cumplicidades
Desaparecem sem deixar
Nome e motivo,
Mas o silêncio no ar
Risca com tanta força,
Que jamais apagará
O pedágio transitado
Sem preço particular

Negros, negros, que cintilam
Como a lua reluz no mar
Em noites esperançosas
De que algo mudará

Como o orvalho
Que molha as folhas
Seus olhos escorrem
Face abaixo
Molhando o seu coração 
Que por um bem querer
Não para de sofrer

Airla Barbosa
Membro da APL

quinta-feira, 14 de maio de 2015

O MENINO JOSÉ



Em uma pequena cidade no interior do Ceará vive uma alegre criança chamada José. Cheio de saúde e com uma grande quantidade de energia para gastar, José brinca todos os dias com seus colegas e amigos ao lado de casa. Suas brincadeiras preferidas são: esconde-esconde, polícia e ladrão, pega-pega, cobra cega, queimada e pião. 

Certo dia, em seu aniversário de oito anos, José ganha de familiares e amigos vários presentes. Dentre estes estava um smartphone, um tablet e um Playstation 3. Como era muito esperto e inteligente logo se adaptou as novas tecnologias que ganhara. 

Os pais o ajudaram na utilização desses aparelhos, além disso, compraram uma série de jogos para PS3, baixaram uma gama de jogos e aplicativos para o smartphone e tablet, e aumentaram o plano de internet. Eles tinham o objetivo de manter José dentro de casa, pois tinham medo de deixá-lo envolver-se em atividades ao ar livre, onde estaria, segundo eles, mais exposto ao perigo. 

O tempo foi passando e José foi gradualmente se viciando em jogos e internet, principalmente depois de criar para si uma rede social. Os pais não estabeleceram limites ao filho na utilização das novas tecnologias e estas, ao invés de ajudar, causaram problemas ao menino. 

José se distanciou dos amigos com os quais brincava, pois o tempo que tinha livre passava jogando ou então conectado ao mundo virtual. Na escola, ele passou a ter dificuldades a aprender o conteúdo passado pelos professores, afinal não parava de pensar nas atividades que exercia no tempo livre. Aquele menino, que antes era delgado e tinha um corpo fininho, devido à má alimentação e ao sedentarismo começou a ficar obeso. 

José, enfim, depois de seu aniversário nunca mais foi o mesmo!

Hélio Costa
Membro da APL

quinta-feira, 5 de março de 2015

GUERREIROS(AS) DO SERTÃO


Ao cantar do galo, como de costume, seu José acorda. Após amolar a foice e organizar os instrumentos de trabalho ele deita em seu "tucum", armado no alpendre da casa. Na ocasião, observa o nascer do sol e, ao mesmo tempo, analisa como será o clima do dia. A maioria das vezes, de forma incrível, ele acerta; outras, entretanto, não! 

Dona Rita, mulher de seu José, sabe que quando o marido deita-se no tucum é porque o mesmo está à espera de seu delicioso e tão almejado café. Por isso, acorda-se ao mesmo tempo do varão, faz o fogo à lenha e produz a bebida. Quando as condições estão favoráveis o café é tomado junto com pão, tapioca ou beiju, mas quando não estão o jeito é bebê-lo escoteiro.

Com cinco filhos para criar, seu José sabe que a ‘mordomia’ é curta e que logo terá que se dirigir à roça, juntamente com seus três filhos, os quais, apesar de serem menores, compreendem a importância de ajudar o pai na manutenção da casa. As filhas, todavia, ficam na companhia da mãe e a ajudam na organização do lar. Ambos os pais entendem que a educação é primordial e que somente ela poderá dar um futuro diferente aos filhos. Por isso, respeitam o tempo que eles necessitam à escola. Assim, os filhos se eximem da responsabilidade no momento de estudo, mas tendo que contribuir em outra ocasião. 

Seu José, com a foice e uma "cabaça" d’água no ombro, se encaminha ao serviço. Trabalha, em meio ao sol impiedoso, de sete às onze horas da manhã e de uma às cinco horas da tarde. Assim, é sua labuta diária. 

Nota do autor: Essa história fictícia, mas que trata de uma realidade comum do sertão nordestino tem por objetivo apresentar um pouco da vida dos agricultores de nossa região, os quais enfrentam diariamente as intempéries da natureza para colocarem comida sobre a mesa. O processo da lavoura (roçar, queimar, plantar, capinar, cuidar e coletar) exige muito dos trabalhadores rurais, que carregam em sua pele as marcas do sofrimento. Como se não fosse suficiente, ainda são obrigados a direcionar seus filhos à lavoura, tendo por fim a diminuição e avanço do serviço laboral. Não é por que querem, mas sim por que a necessidade os impõe, afinal nenhum pai responsável deseja infortúnio ao seu próprio filho. 

Hélio Costa
Membro da APL